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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

KARL BARTH E A FEBRE DA RELEVÂNCIA!

Ser relevante é o sonho de consumo de muitas igrejas e seus pastores. Essa ânsia tem afetado diretamente a agenda da igreja e do ministério pastoral. Recordo-me de ter ouvido um afamado conferencista brasileiro dizer em alto e bom som (para o entusiasmo de muitos, infelizmente): “Púlpito não é lugar de ensinar doutrina, mas de explicar a vida”. Até hoje não sei como esse indivíduo consegue explicar a vida sem acessar as doutrinas cristãs. Mas o fato é que esse tipo de pensamento ganha cada vez mais adeptos. Em todo lugar, como uma epidemia, pastores e líderes querem a todo custo ser relevantes na sociedade. O leitor deve estar se perguntando: Qual o problema de querer ser relevante? Acompanhe o raciocínio.


Todo cidadão, sobretudo aqueles que exercem liderança, precisam estar informados dos acontecimentos e interpretá-los a partir de uma cosmovisão bíblica. O pastor não deve isolar-se e fazer da sua congregação um compartimento hermeticamente fechado. Na contramão desse tipo de postura, o notável teólogo alemão, Karl Barth, disse que os pastores e pregadores precisavam andar com a Bíblia em uma mão, e o jornal na outra (frase, também, atribuída a John Wesley). Concordo! A Bíblia comunica verdades proposicionais de Deus e seus atos na história da redenção. O jornal (e outros meios de comunicação) informa os acontecimentos do dia a dia. O desafio do pregador, entre outras coisas, é criar uma ponte entre o mundo bíblico e o mundo contemporâneo. Anunciar as verdades eternas fazendo aplicações práticas que tenham correlação com a vida das pessoas.


Todavia, o que temos visto, não é apenas o legítimo interesse pela informação, mas a corrupção do propósito dessa informação. No afã de trazer uma mensagem “atual” muitos estão padecendo da febre da relevância. Um fenômeno que está transformando o púlpito em uma espécie de balcão de informação. Alguns pastores surpreendem a congregação com uma desenvoltura jornalística de causar inveja em muitos profissionais de comunicação. Soube de um pastor que após o início da famigerada “crise financeira internacional” passou semanas ensinando a igreja acerca do mercado financeiro mundial. Isso incluiu um tour pela gênese das bolsas de valores, a história do sistema bancário global e temas afins. A Mirian Leitão e os demais comentaristas econômicos que se cuidem! Esses pastores são demais.


ESSA FEBRE PEGA, MAS TEM CURA.

Um dos episódios mais marcantes na vida de Karl Barth, sem dúvidas um dos mais notáveis teólogos do cristianismo, se deu logo após a eclosão da terrível Primeira Guerra Mundial, em 1914. Diante de uma situação tão terrível, Barth, à época sofrendo da febre da relevância, correu para o púlpito e por semanas falou sobre a violência da Guerra. Muitos diriam: “Que maravilha! É de pastores assim que a igreja precisa. Homens antenados com o que acontece no mundo. Gente bem informada!”


Ora, segundo a mentalidade relevanciana, somente um fundamentalista interiorano, insensível e obtuso pregaria sobre a soberania do Deus Eterno e a sua santa e sábia providência. Em um momento crítico como aquele só mesmo os tolos reacionários falariam sobre a encarnação, morte, ressurreição e exaltação de Cristo. “Isso não!” diria os adoradores da relevância. “Deixemos de lado essa coisa de arrependimento, confissão, santidade e esperança da volta triunfal do Senhor Jesus, o Filho de Deus”.


A realidade é que para os sedentos por relevância, a Bíblia é apenas ponto de partida para exposição de suas idéias sobre como criar um paraíso na terra. A cruz de Cristo, a gloriosa bandeira do evangelho, tem sido hasteada e lamentavelmente substituída pelo pano de chão das frivolidades. Embora haja temas e questões que tem importância e devem ser objetos de reflexão, nada é mais sublime e necessário para a vida da igreja do que a pessoa bendita de Jesus Cristo.


Karl Barth compartilha conosco em um de seus sermões, a sua experiência com a febre da relevância. “Em 1914, quando a eclosão da guerra deixou o mundo todo sem fôlego, senti-me obrigado a permitir a entrada dessa violência da guerra em todos os meus sermões até que finalmente uma mulher veio a mim e me suplicou que apenas uma vez eu falasse sobre alguma outra coisa e não constantemente sobre esse conflito terrível. Ela estava certa! Eu havia vergonhosamente esquecido a importância da submissão ao texto... Toda honra a relevância, mas os pastores deveriam ser bons atiradores que miram suas armas acima do monte da relevância”.


É BOM LEMBRAR...

No primeiro século da era cristã, Jesus dá início ao seu ministério público indo para Galiléia, uma região de gente pobre (com um baixo IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, segundo os jornais da época) e analfabeta. Os galileus, cujos problemas sociais e econômicos eram reais e perceptíveis, tiveram o privilégio de ouvir o primeiro sermão de Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado. Marcos registrou o escopo da mensagem: “(...) foi Jesus para Galiléia pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho”. (Marcos 1.14,15) Coitado dos oprimidos. Além de sofrerem terríveis males sociais, ainda vem esse tal de Jesus falando sobre arrependimento, diria alguém. Mas a história testemunha que aqueles que compreenderam a mensagem de Jesus, (naqueles dias e ainda hoje), tiveram suas vidas transformadas como nenhuma revolução política ou reforma social jamais poderia realizar.


A mensagem dos apóstolos do Senhor Jesus era essencialmente uma: “nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gregos” (1 Co 1.23). Estranha pregação! Tendo em vista que à época havia aproximadamente 60 milhões de escravos no império romano soa como inadmissível não falar de justiça social. Por que a igreja não foi mobilizada para fazer passeata em protesto contra escravatura?


Creio que os apóstolos de Jesus Cristo seriam acusados de serem pregadores irrelevantes, para não dizer, irresponsáveis e negligentes, caso vivessem nos dias atuais. Mas curiosamente, foi anunciando a irrelevante mensagem da cruz, ainda hoje loucura para os gregos e escândalos para os judeus, que eles humanizaram a desumana sociedade romana. O cristianismo revolucionou o mundo com uma mensagem que os filósofos e todos os doutos da época reputavam como sendo insignificante, abominável e irrelevante. A mensagem cristã parecia fascinar apenas os pobres e incautos, estigmatizados como massa ignara.


A ironia é que para ser realmente relevante, a igreja precisa anunciar a mensagem que o mundo julga, a despeito do favorável testemunho da história, como sendo irrelevante. A pregação das insondáveis riquezas de Cristo é o único poder efetivamente transformador. Todo restante é fiasco filosófico sepultada pela história com o epíteto de utopia fracassada.


Karl Barth se mostrou curado da febre da relevância ao dizer: “A igreja não é uma ferramenta para sustentar o mundo ou para promover o seu progresso. Ela não é um instrumento para servir ao velho ou ao novo. A igreja e a pregação não são ambulâncias no campo de batalha da vida.”

Senhores, cuidado com a febre da relevância.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

SANTO E PECADOR!




SANTO E PECADOR
Simult Sanctor Et Peccator


Em 2 de outubro de 1840, Robert M. McCheyne escreveu uma carta de encorajamento a um amigo missionário na Alemanha. Naquele memorável texto, entre outras coisas, ele disse: “Não é tanto os grandes talentos que Deus abençoa, mas uma grande semelhança com Jesus. Um ministro de vida santa é uma tremenda arma nas mãos de Deus”. Subscrevo, integralmente, as palavras de McCheyne. Homens santos abençoam vidas, sobretudo num contexto caracterizado por tantas igrejas teologicamente confusas, moralmente fracas, socialmente inoperantes e espiritualmente decadentes. Ministros santos são vitais na reforma e avivamento da igreja; são bênçãos nas mãos de Deus.


Todavia, por melhor que seja um homem ele nunca deixa de ser homem. Existem fraquezas, limitações e pecados. Homens santos não são anjos, mas pessoas de carne e osso. O líder é alguém que simultaneamente é persona e pessoa. A persona é a imagem que ele mesmo projeta de si, consciente ou não. Persona é a imagem que é projetada sobre ele. Persona é a imagem, o virtual. Por outro lado, a pessoa é a digital da alma, aquilo que se é por dentro. A imagem nunca corresponde exatamente a realidade. Isso porque, todos ser humano, afetado pela Queda, em graus variados, esconde quem é e apresenta uma imagem idealizada de acordo com padrões aceitáveis. Não se trata de dupla personalidade, duas caras. Estou falando de um ser que é uma amálgama de virtudes e vícios em uma guerra intensa.


Penso que um dos desafios da igreja é lutar pela preservação da humanidade pastoral. O pastor precisa ser gente de carne e osso e não uma divindade com super poderes, temporariamente encarnada. Superestimar o pastor fazendo dele uma divindade impecável do tipo “superman” é um erro grave de consequencias perigosas tanto para o indivíduo quanto para a comunidade. De igual modo, subestimar o pastor, fazendo com que ele se sinta tão somente um objeto, uma peça no quebra cabeça da fé é um atentado com a própria igreja. Lutero definiu o cristão como sendo “santo e pecador ao mesmo tempo”. Concordo. Somos cinza; mistura de trevas e luz.



Se vocês me permitem uma metáfora poética. Somos lua porque Deus é sol. A lua não tem luz própria; é sem vida, mergulhada em densas trevas. Mas por causa do sol, a lua pode iluminar com intensa beleza e cumprir seu papel de abençoar a terra. O evangelho não pretende divinizar pessoas, criando semideuses. A obra de Cristo na cruz é o resgate da nossa verdadeira humanidade. Como Davi, oro todos os dias “O Senhor, meu Deus, derrama luz nas minhas trevas”(Sl 18.28).


Sete anos depois de ser ordenado pastor batista, reconheço que sou apenas um santo pecador, salvo pela soberana graça de Deus, “tendo recebido este ministério pela misericórdia” (2 Co 4.1). Posso dizer como John Newton: “Não sou o que era; não sou o que devo ser; não sou o que quero ser; não sou o que um dia espero ser; mas graças a Deus não sou o que fui antes, e é pela graça de Deus que sou o que sou”.

Judiclay S. Santos

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

IRMÃOS, NÓS NÃO SOMOS PROFISSIONAIS.

Há livros, cuja leitura é capaz de causar um forte impacto sobre a vida do leitor. IRMÃOS, NÓS NÃO SOMOS PROFISSIONAIS, é uma dessas obras. John Piper prestou um enorme serviço a causa do Reino e a edificação da Igreja. Seu livro é dividido em trinta capítulos, cujo conteúdo é uma série de oportunas exortações que uma vez levadas a sério podem promover significativas mudanças na vida e no ministério de muitos pastores. Trata-se de uma que aborda temas relevantes sob uma perspectiva bíblica e pastoral. Recomendo, com entusiasmo, aos pastores e líderes a fim de que sejam edificados na Palavra e tenha seus corações renovados no objetivo de viver e pastorear para glória de Deus.

Dê uma olhada no sumário e leve em consideração algumas FRASES QUE PROVOCAM A REFLEXÃO.

1. Irmãos, nós não somos profissionais.“Nós pastores, estamos sendo massacrados pela profissionalização do ministério pastoral. A mentalidade do profissional não é a mentalidade do profeta. Não é a mentalidade do escravo de Cristo. O profissionalismo não tem nada que ver com a essência e o cerne do ministério cristão”. Quanto mais profissionais desejamos ser, mais morte espiritual deixaremos em nosso rastro. Pois não existe a versão profissional do “tornar-se como crianças (Mt 18.3); não existe compassividade profissional (Ef. 4.32); não existem anseios profissionais por Deus (Sl 42.1). (p.15)

2) Irmãos, Deus ama a sua glória.O amor de Deus pela glória de seu nome é o manancial da graça e a rocha da nossa segurança”. (p. 22)

3) Irmãos, Deus é amor.Diamantes são valiosos pela sua raridade e pela dificuldade de encontrá-los. Deus é infinitamente valioso, pois é o ser mais raro e não pode ser feito, nem nunca foi criado. (p. 26)

4) Irmãos, vivam e preguem a justificação pela fé.Pregar e viver a justificação pela fé glorifica a Cristo, resgata pecadores desesperados, encoraja santos imperfeitos e fortalece igrejas frágeis. A história testemunha: a pregação dessa verdade, cria, reforma e reanima a igreja. (p. 33)

5) Irmãos, cuidado com a ética do devedor.“A motivação dos cristãos é tão importante quanto seus atos, pois o motivo equivocado arruína as boas ações”. (p.49)

6) Irmãos, diga-lhes para não servirem a Deus.6. A Bíblia está interessada em nos afastar da idolatria do serviço ao Deus vivo e verdadeiro (1 Ts 1.9). Além disso, ela almeja impedir-nos de servir ao Deus verdadeiro da forma errada. (p. 55)

7) Irmãos, considerem o hedonismo cristão.O desejo de ser feliz é a motivação louvável para toda boa obra, e se você desistir de buscar a própria felicidade, será incapaz de amar o ser humano ou de agradar a Deus. (p. 62)

8) Irmãos, vamos orar.Existe uma coisa que Deus ama muito mais do que abençoar o mundo: ele ama abençoar o mundo como resposta de oração. (p. 70)

9) Irmãos, cuidado com os substitutos sagradosO ministério é o pior inimigo de si mesmo. Sua destruição não é causada pelo grande lobo desse mundo. Na verdade, ele se autodestrói. A maior ameaça à nossa oração e meditação na Palavra de Deus é a nossa virtuosa atividade ministerial. (p. 75)

10) Irmãos, lutem por sua vida.A maioria dos nossos irmãos não faz idéia do preço que se paga por duas ou três mensagens semanais em termos de exaustão espiritual e intelectual. (p. 81)

11) Irmãos, vamos indagar o texto.Para alimentar nosso povo é necessário dar continuidade à compreensão da verdade bíblica. Devemos ser como Jonathan Edwards que tomou as decisões na época da faculdade e manteve suas resoluções por toda vida: “Resolvi estudar as Escrituras com tanto afinco, constância e freqüência que serei capaz de perceber claramente meu crescimento progressivo no conhecimento delas”. (pg. 89)

12) Irmãos, Bitzer era banqueiro.Qual será a conseqüência para uma denominação quando o conhecimento do grego e hebraico não é almejado e incentivado no trabalho pastoral? Não se trata apenas de oferecer ou admirar esse conhecimento, mas de estimá-lo, buscá0lo e desenvolvê-lo.

13) Irmãos, leiam biografias cristãs.A biografia cristã é uma forma de o corpo vivo da igreja atravessar os séculos. Essa comunhão entre vivos e mortos é crucial, especialmente para os pastores. (p.105)

14) Irmãos, exponham aos irmãos porque Deus inspirou textos difíceis.O que significa para a vida, a cultura, a história e para a adoração o fato de Deus ter dado ao cristianismo um livro composto de alguns textos tão intelectualmente extenuantes e ainda edificar a igreja por meio deles? (p.113)

15) Irmãos, salvem os santos.
Meu erro foi pensar que somente a salvação dos perdidos dependia da minha pregação, e não a salvação da igreja. (p.121)

16) Irmãos, devemos sentir a verdade do inferno.Mesmo que eu tentasse fazer do “lago de fogo” (Ap.20.15) ou da “fornalha ardente” (Mt 13.42) um símbolo, sinto-me confrontado com o pensamento aterrorizante de que símbolos não são hipérboles da realidade, mas, sim sua descrição suavizada. (p.130)

17) Irmãos, conduzam pessoas ao arrependimento mediante o prazer delas.17. O arrependimento é o primeiro passo espiritual na estrada do Calvário para obedecer a Jesus de maneira radical. (p.135)

18) Irmãos, exaltem o significado do batismo.O povo visível de Deus não é mais constituído pelo nascimento natural, mas pelo novo nascimento e sua expressão por meio da fé em Cristo. (p.150)

19) Irmãos, nossa aflição serve para o conforto deles.As aflições sofridas pela família de Deus procedem do Pai celestial para o nosso bem. (p. 153)

20) Irmãos, deixem o rio se aprofundar.Sempre tive a impressão de que as obras do renomado estudioso britânico do Novo Testamento, Frederick F. Bruce, eram desnecessariamente irrelevantes. Lendo suas memórias, In Restrospect, descobri um dos motivos. Nela, ele faz a seguinte afirmação: “Não gosto de falar, principalmente em público, sobre coisas que significam muito para mim”. Quando alguém exclui o que valoriza de suas obras e conversas, a esterilidade se instala. Quanto a mim, eu diria oposto: “Não gosto de falar, principalmente em público, sobre coisas que não significam nada para mim”.

21) Irmãos, não lutem contra os tanques da carne usando zarabatanas legalistas.O legalista normalmente é uma pessoa de grande moral. (p.169)

22) Irmãos, não confundam incerteza com humildade.De tempos em tempos, pastores são envolvidos em controvérsias por amor à verdade, pelo bem da igreja e para glória de Deus. A controvérsia é algo doloroso, mas necessário. (p. 174)

23) Irmãos, digam-lhes que o de cobre é suficiente.Jesus também disse que quem crê no dinheiro recebido como algo destinado a proporcionar mais conforto pessoal na terra é insensato. O sábio reconhece que todo o seu rendimento pertence a Deus; ele deve ser empregado de modo a deixar claro que Deus, e não o dinheiro, é seu tesouro, seu conforto, sua alegria e segurança. (p. 184)

24) Irmãos ajudem o povo a suportar e ministrem em meio à calamidade.Ore. Peça a Deus para ajudar você e as demais pessoas a quem deve ministrar. Peça sabedoria, compaixão, força e palavra apropriada. Peça que todos os que estejam sofrendo sejam capazes de olhar para Deus e ver nele seu auxílio, esperança, cura e força. E que sua boca seja como uma fonte de vida. (p. 190)

25) Irmãos, transmitam-lhes a paixão divina por missões.Podemos ser os que vão, os que enviam ou os que desobedecem. Mas ignorar a causa não é uma opção cristã. ( p. 212)

26) Irmãos, cortem a raiz do racismo.Independente de sua avaliação sobre a vida e a estratégia da ação não violenta de Luther King, ele articulou e simbolizou um grande sonho ainda não realizado. E uma das tarefas do ministério pastoral é transformar esse sonho em uma visão bíblica de Deus – um propósito mundial, e então chamar a igreja para fazer parte consciente disso também. (p. 219)

27) Irmãos, soem a trombeta pelos nascituros.Venho pregando sobre o terrível pecado e a injustiça da realidade do aborto e sobre a glória da causa da vida, pelo menos uma vez por ano na igreja. (p. 225)

28) Irmãos, concentrem-se na essência de adoração, não na forma.Uma das razões que levaram os puritanos a chamar as igrejas de “casas de reunião” e manter o estilo simples foi o desejo de desviar a atenção do lugar físico para o interior – a natureza espiritual da adoração.

29) Irmãos, que cada um de vocês ame sua mulher.Ah, como é crucial que o pastor ame a sua esposa. Esse amor traz alegria e estímulo para a igreja. Faz dessa união estímulo para outros casais. Sustenta a honra do ofício dos presbíteros. É uma bênção para os filhos, pois propicia a eles um abrigo amoroso. Manifesta o ministério do amor de Cristo pela igreja. Evita que as orações sejam interrompidas. Alivia os fardos do ministério. Protege a igreja dos escândalos devastadores. E satisfaz a alma à medida que encontramos nossa alegria em Deus enquanto buscamos na alegria da pessoa amada. Isso não é irrelevante meus irmãos. Amar o cônjuge é essencial para o ministério. É um ministério. (p.259)

30) Irmãos, orem pelos seminários.Não se pode enfatizar exageradamente a importância do seminário na formação teológica e espiritual de igrejas, denominações e instituições missionárias. Porém, o tom das aulas e dos professores exerce profunda influência no tom do púlpito. (p. 273) Gerações de fiéis estão em risco. Portanto, que eles sejam o motivo da nossa oração. (p. 278)
O referido livro, IRMÃOS, NÓS NÃO SOMOS PROFISSIONAIS, é publicado pela Shedd Publicações e pode ser adquirido pelo site: http://www.vidanova.com.br/ Vale apena você ler!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

FISIONOMIAS DIZEM SIM OU DIZEM NÃO

Por Judiclay Silva Santos



O presidente americano, THOMAS JEFFERSON estava viajando com a sua comitiva pelo interior do país quando se deparou com um rio cuja ponte havia desabado em conseqüência das fortes chuvas. À margem do rio estava um camponês que precisava atravessar, e quando a comitiva se aproximou o homem pediu ao presidente que o ajudasse a atravessar. Tomas Jefferson estendeu a mão e o fez subir na garupa do seu cavalo e todos atravessaram o rio. Já do outro lado, um dos delegados da comitiva perguntou ao homem: Por que você escolheu o presidente? O homem surpreso disse: Eu não sabia que ele era o presidente. Eu pedi a ele, pois a sua fisionomia dizia sim, enquanto a de vocês dizia não.

Na igreja também é assim. Existem fisionomias que dizem sim e há outras que dizem não. A mentalidade do cliente infestou as igrejas como uma praga na plantação. As pessoas querem ser servidas e exigem os seus supostos direitos. Tais pessoas comunicam, por palavras e atitudes, outras apenas no olhar: Não contem comigo!
Há crentes que causam uma frustração semelhante àquela insuportável voz eletrônica do telefone celular quando mais precisamos falar: “O número que você ligou está desligado ou fora da área de serviço”. Existem os que estão desligados por sua ignorância quanto ao seu dever e há os que estão fora da área de serviço por sua rebeldia, pois embora saibam quais são os seus deveres, negligenciam por meio de atitudes evasivas e desculpas injustificáveis.

A igreja precisa ser mais efetiva e eficaz em sua ação e isso só poderá acontecer quando houver mais engajamento por parte de todos os seus membros cada um vestindo a camisa e entrando em campo para trabalhar. Há muita obra a ser feita. Há muitas vidas precisando do evangelho. Há muitos ministérios a serem realizados. Há muitas portas abertas que precisam ser aproveitadas, mas, infelizmente existem ainda muitos dons e talentos enterrados.
É curioso notar que os crentes que não trabalham, geralmente dão trabalho. Se quisermos pagar o preço para o crescimento da igreja, precisamos nos engajar, conforme o dom que cada um recebeu, no evangelismo, no discipulado, na visitação, na integração, na oração e no treinamento. Não podemos ter apenas um pequeno grupo fazendo tudo. Todos precisam se envolver. Somos um corpo.
E quanto a você, sua fisionomia comunica as pessoas disposição para servir? Sua fisionomia diz sim ou não?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

UMA VIDA PODEROSA DE ORAÇÃO


Por E. M. Bounds (Prayer and Revival)


A oração é o meio mais poderoso para fazer avançar a obra de Deus. Somente os corações e as mãos dos que oram podem realizar a obra de Deus. A oração tem sucesso quando tudo o mais falha. Pela oração, grandes vitórias já foram conquistadas e santos de Deus resgatados em nobre triunfo, quando já não havia qualquer esperança. Pessoas que sabem como orar são a maior dádiva que Deus pode dar à Terra. São o presente mais precioso que a Terra pode oferecer a Deus. As pessoas que sabem usar a arma da oração são os mais valiosos guerreiros de Deus e seus líderes mais poderosos.


Pessoas que oram são os líderes preferidos por Deus. A diferença entre os líderes que Deus coloca na linha de frente para conduzir e abençoar seu povo, e aqueles que obtiveram a posição por meio de critérios mundanos, egoístas e impuros é a seguinte: os líderes de Deus são antes de mais nada pessoas de oração. É a oração que serve de marco distintivo, é o atestado divino do seu chamado, o selo de que foram separados por Deus. Sejam quais forem os demais dons e graças que porventura possuam, o dom e a graça da oração estão acima de todos. Sejam quais forem as possíveis diferenças ou semelhanças entre um e outro, os verdadeiros líderes de Deus são idênticos neste ponto: no dom da oração.


O que seriam os líderes de Deus sem a oração? Tire de Moisés seu poder de oração, dom reconhecido até pelos pagãos, e não haverá mais coroa de autoridade na cabeça nem substância ou fogo em sua fé. Sem oração, Elias nem sequer teria registro ou menção no legado divino. Sua vida teria sido insípida, covarde, sem energia, desafio ou fogo. Se Elias não tivesse orado, as águas do Jordão jamais se teriam recuado diante da pancada com o manto, nem o implacável anjo da morte o teria honrado com seus carros e cavalos de fogo.


O argumento usado por Deus para aquietar os temores de Ananias e convencê-lo da sinceridade de Paulo foi “...pois ele está orando” (At 9.11). Essa foi a epítome da história de Paulo, a base de sua vida e obra. Paulo, Lutero, Wesley – o que teria sido desses escolhidos de Deus sem o elemento distintivo e regulador da oração? Eles foram líderes que representaram Deus, porque eram poderosos na oração. Não foram líderes em virtude da inteligência, dos recursos inexauríveis, da magnífica dotação cultural ou natural. Foram líderes porque comandavam o poder de Deus por meio do poder da oração.


Pessoas de oração não são apenas pessoas que recitam orações ou que oram por força do hábito. Pessoas de oração são aquelas que conhecem a tremenda força da oração, cuja energia move os céus e derrama tesouros incalculáveis sobre a Terra.


TEMPO A SÓS COM DEUS


Pessoas de oração são aquelas que passam bastante tempo com Deus. Sentem grande necessidade e desejo de estar a sós com Deus. Embora muito ocupadas, sempre param o que estão fazendo no tempo determinado para ter comunhão com Deus. Por terem passado muito tempo sozinhos com ele, já descobriram que o segredo de exercer liderança sábia e poderosa diante de Deus está nesses momentos de acesso e graça especiais.


Pessoas de oração têm foco único. Após tanto tempo a sós com Deus, por terem presenciado tanto a sua glória, aprendido tanto da sua vontade e sido tão fortemente moldados à sua imagem, o foco delas não consegue mais se desviar do Senhor. Tudo o mais é tão insignificante em comparação que não lhes atrai a atenção, é pequeno demais para encher seus olhos. Uma visão dividida – uma parte focada em si mesmo, outra em Deus – causa grande empecilho à oração.


Pessoas de oração fundamentam-se em apenas um livro; alimentam-se da Palavra de Deus, que habita plenamente nelas como força vital e fonte de autoridade e fé. São pessoas da Bíblia. É a Bíblia que lhes inspira as orações e desperta a fé. Elas se apóiam em suas promessas como se fossem um baluarte de concreto.


As pessoas de oração são os únicos obreiros de Deus que são realmente produtivos. A verdadeira oração é uma força de trabalho, uma energia divina que precisa externar-se, pois é muito poderosa para ficar contida. O trabalho feito por pessoas de oração alcança os melhores resultados porque é realizado com a energia de Deus. Pessoas de oração são dirigidas por Deus e trabalham para a glória divina, sob o poderoso incentivo da presença de Deus, da sua Palavra e do seu Espírito.


Pessoas de oração protegem a Igreja do materialismo que contamina todos os seus planos e constituição, e congela seu sangue vital. Um veneno mortífero e secreto circula pela Igreja, persuadindo-a de que não tem necessidade de depender tanto de forças puramente espirituais, como anteriormente. Outros tempos e outras condições tiraram a Igreja de apertos e dependências espirituais e a colocaram sob a injunção de outras forças que poderão impulsioná-la ao sucesso. Tal armadilha fatal seduziu a Igreja a cair em laços mundanos, fascinando os líderes, enfraquecendo os fundamentos e privando-a, em grande parte, de sua beleza e força.


Pessoas de oração salvam a Igreja dessa tendência materialista. São canais despenseiros das forças espirituais originais. Elas desprendem a Igreja dos bancos de areia nas águas rasas do materialismo e a impelem para as profundezas do poder espiritual. Pessoas de oração mantêm Deus em sua posição de força total. Conservam a mão do Senhor no leme de direção, enquanto ele treina a Igreja em força e confiança.


A quantidade dos que trabalham na vinha do Senhor, onde quer que seja, e sua eficiência dependem das pessoas de oração. De acordo com um processo instituído pelo próprio Deus, o número e o sucesso de obreiros consagrados dependem do poder da oração. A oração escancara as portas de acesso, prepara o obreiro para entrar e proporciona a ousadia santa, a firmeza e o fruto. Há necessidade de pessoas de oração em todos os campos do trabalho espiritual.


Não há cargo, alto ou baixo, na Igreja de Deus, que possa ser adequadamente preenchido sem oração. Não existe posição, para o cristão, que não requeira aquela fé que ora sempre e nunca esmorece. Pessoas de oração são necessárias tanto nas casas e empresas comerciais quanto na casa de Deus, a fim de que conduzam negócios, não segundo os princípios deste mundo, mas de acordo com os preceitos da Bíblia e as máximas da vida celestial.


Pessoas de oração são necessárias sobretudo naqueles cargos de influência, honra e poder na Igreja. Os líderes que estão à frente do pensamento, do trabalho e da vida da igreja, devem ser pessoas com comprovado poder na oração. É o coração em oração que santifica o trabalho e a perícia das mãos e o empenho e a sabedoria da cabeça. A oração faz com que o trabalho se alinhe com a vontade de Deus e mantém o pensamento afinado com a Palavra de Deus. As sérias responsabilidades de liderança na Igreja de Deus, sejam de alta ou baixa escala, devem ser de tal forma cercadas de oração que entre elas e o mundo haja uma barreira intransponível. Os líderes devem ser de tal forma elevados e purificados pela oração que nenhuma nuvem ou treva possa conturbar ou obscurecer uma clara e permanente visão de Deus.


Muitos líderes da Igreja parecem pensar que se puderem sobressair-se por capacidades intelectuais e administrativas, por diplomas, dons de eloqüência e realizações notáveis, isso será o bastante e compensará a ausência de poder espiritual proveniente de muita oração. Contudo, essas coisas para nada servem no trabalho sério de trazer glória para Deus, governando a Igreja para ele e conduzindo-a para o pleno cumprimento de sua divina missão.


Pessoas de oração são aquelas que tanto realizaram para Deus no passado. Foram elas que conquistaram as vitórias para Deus e esmagaram seus inimigos. São aquelas que edificaram o Reino de Deus em pleno arraial inimigo. Não há nenhuma outra condição para o sucesso hoje em dia. O tempo atual não suspendeu a necessidade ou a força da oração. Não há nada que possa substituí-la para alcançar seus objetivos graciosos.


Somente as mãos daqueles que oram podem edificar algo para Deus. As pessoas de oração são os poderosos de Deus na Terra, seus mestres arquitetos. Podem não dispor de mais nada, mas lutando e prevalecendo com a fé de coração simples, são valentes – os mais poderosos valentes de Deus. Os líderes da Igreja podem possuir todos os talentos, mas sem esse que é o maior dos dons serão como Sansão privado de suas madeixas, ou como os altares do templo em que a chama divina extinguiu-se por falta da divina presença.


Extraído de Prayer and Revival (Oração e Avivamento) de E. M. Bounds. Copyright © 1993 de Baker Book House.