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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

ADORE TE DEVOTE



Por Judiclay S. Santos

Adore te devote é um famoso hino, tradicionalmente atribuído a Tomas de Aquino (1225--74). A leitura deste hino revela, entre outras coisas, a abissal diferença entre a liturgia de ontem e a de hoje. A igreja contemporânea, tem sido tão empobrecida na sua liturgia que sua mediocridade chega a níveis intoleráveis. Estou cansado de ouvir canções rasas, insípidas e monocromáticas, e o pior de tudo, heréticas. Precisamos regressar as antigas veredas e cantar as Escrituras, usando os dons e talentos dados pelo bendito Deus para enaltecer seu nome e sua obra, na criação e na redenção.

Ouvir e cantar esses clássicos da hinódia cristã não significa despreza o presente nem negar o fato de temos bons compositores e excelentes músicos na atualidade (embora sejam poucos). O que pretendo dizer é que adoração não é apenas cantar, mas é fundamentalmente é reconhecer quem Deus é e o que ele tem feito e ser tomado por um senso de maravilha tal que sejamos inclinados a glorificá-lo com tudo o que temos e somos.

O hino ADORE TE DEVOTE está cheio de santa reverência diante do Eterno.

Eu Te adoro com afecto, Deus oculto,
que Te escondes nestas aparências.
A Ti sujeita-se o meu coração por inteiro
e desfalece ao Te contemplar.

À vista, o tacto e o gosto não Te alcançam,
mas só com o ouvir-Te firmemente creio.
Creio em tudo o que disse o Filho de Deus,
nada mais verdadeiro do que esta Palavra da Verdade.

Na cruz estava oculta somente a tua divindade,
mas aqui se esconde também a humanidade.
Eu, porém, crendo e confessando ambas,
peço-Te o que pediu o ladrão arrependido.

Tal como Tomé, também eu não vejo as tuas chagas,
mas confesso, Senhor, que és o meu Deus;
faz-me crer sempre mais em Ti,
esperar em Ti, amar-Te.

Ó memorial da morte do Senhor,
Pão Vivo que dás vida ao homem,
faz que meu pensamento sempre de Ti viva,
e que sempre lhe seja doce este saber.

Senhor Jesus, terno pelicano,
lava-me a mim, imundo, com teu sangue,
do qual uma só gota já pode
salvar o mundo de todos os pecados.

Jesus, a quem agora vejo sob véus,
peço-Te que se cumpra o que mais anseio:
que vendo o teu rosto descoberto,
seja eu feliz contemplando a tua glória.

Meus caros leitores, que o Deus de toda graça nos dê um coração, cujo maior anseio seja conhecê-lo, amá-lo e adorá-lo no tempo e na eternidade.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O CULTO AGRADÁVEL AO SENHOR

Por Judiclay Santos

As Sagradas Escrituras, em todas as suas partes, condenam a idolatria por ser um culto aos falsos deuses. Mas o que muitos ignoram é que também é idolatria adorar ao Deus verdadeiro de um modo errado. O culto cristão é fundamentalmente um serviço prestado a Deus, em honra, louvor e glória ao seu santo nome. Portanto, é prerrogativa divina estabelecer o modo correto de lhe adorar, e Ele mesmo estabeleceu na sua Palavra o culto que lhe é agradável.


Em primeiro lugar, deve ser dedicado exclusivamente a Deus. O Deus Todo Poderoso é o único digno de culto, pois Ele é o Criador de todas as coisas e o Redentor do seu povo. Mas são muitos os rivais que disputam o culto que a Deus somente é devido. Satanás, nosso adversário, ofereceu ao Senhor Jesus todos os reinos e a glória deste mundo em troca de um ato de adoração. Porém, o Senhor respondeu: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele darás culto.” Os crentes precisam vigiar! o velho enganador é persistente e continua sedento de culto e são muitos os seus adoradores. Ele está de olho em nós e fará tudo quanto for possível para instalar um ídolo em nosso coração. Saiba meu irmão, onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração.


O culto agradável a Deus é um ato de adoração a Deus. A adoração é uma bênção de valor inestimável, mas tem sido “a jóia perdida das igrejas evangélicas”, como bem observou Tozer. Adorar ao Senhor é a suprema prioridade da igreja. Nosso objetivo ao proclamar o evangelho é estender o culto a Deus, envolvendo todos os povos. A Igreja proclama as boas novas do evangelho a fim de que mais pessoas reconheçam quem Deus é. A igreja é composta de verdadeiros adoradores que se prostram em reverência à sua majestade e santidade e buscam servi-lo de todo o seu coração, fazendo tudo quanto lhe é agradável.

Esse privilégio é uma graça de Deus aos seus filhos. Quem não conhece a Deus não pode adorá-lo. “Vocês adoram o que não conhecem” disse Jesus a mulher samaritana. Somente um novo coração, regenerado pelo Espírito Santo, pode adorar a Deus em espírito e em verdade. Como filhos de Deus, temos livre acesso ao Pai e recebemos a graça de adorá-lo.


Portanto, Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e força. Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome, adorai o Senhor na beleza da santidade. ( Sl 29 1-2).

sábado, 4 de dezembro de 2010

ADORE TE DEVOTE

Por Judiclay S. Santos

Adore te devote é um famoso hino, tradicionalmente atribuido a Tomas de Aquino(1225--74). A leitura desses hinos revelam, entre outras coisas, a abissal diferença entre a liturgia de ontem e a de hoje. A igreja contemporânea, via de regra, tem sido tão empoprecida na sua liturgia que sua mediocridade chega a níveis íntoleráveis. Estou cansado de ouvir canções rasas, insípidas e monocromáticas, e o pior de tudo, heréticas. Precisamos regressar as antigas veredas e cantar as Escrituras, usando os dons e talentos dados pelo bendito Deus para enaltecer seu nome e sua obra, na criação e na redenção.

Ouvir e cantar esses clássicos da hinódia cristã não significa despreza o presente nem negar o fato de temos bons compositores e excelentes músicos na atualidade (embora sejam poucos). O que pretendo dizer é que adoração não é apenas cantar, mas é fundamentalmente é reconhecer quem Deus é e o que ele tem feito e ser tomado por um senso de maravilha tal que sejamos inclinados a glorificá-lo com tudo o que temos e somos.

O hino ADORE TE DEVOTE está cheio de santa reverência diante do Eterno.



Divindade escondida, a quem eu adoro,
Escondida nessas simples sombras, formas e nada mais;
Vê Senhor, ao teu serviço meu coração se dedica,
Tudo desfalece ao contemplar a ti, ó Deus.



Tu, que nos fazes lembrar do Cristo crucificado.
Ó pão da vida que por nós morreu,
Concede a vida a mim: nutre e alegra a minha mente,
Encontra nela sempre a ternura do saber.



Jesus, a quem ainda vejo de forma escondida,
Suplico, envia-me aquilo que tanto anseio:
Um dia comtemplar-te-ei face a face.
Que eu seja bedito para sempre diante da tua glória.



Meus caros leitores, que o Deus de toda graça nos dê um coração, cujo maior anseio seja conhecê-lo, amá-lo e adorá-lo no tempo e na eternidade.


sábado, 12 de junho de 2010

REFLEXÃO A RESPEITO DO LOUVOR

Por Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
Encontro de Músicos, na PIB de Manaus.

Vivemos mesmo numa época de ignorância, de obscuridade intelectual e de irracionalismo. Infelizmente, a ignorância tem se tornando jóia cultivada neste país, e os mais pensantes são cada vez mais postos de lado. Quando um político de expressão nacional diz que livro é como academia de ginástica: a gente olha e foge, é porque a coisa ficou feia mesmo. O pior é que a ignorância é cultivada com arrogância. Parece que quanto mais ignorante, mais digno de crédito. E a espiritualidade evangélica tem se distanciado do pensar, que tem sido cada vez mais visto como ato carnal, quando não diabólico. A ignorância está em alta. Está difícil ser evangélico, também, hoje, a quem é pensante.

Ouvi no noticiário televisivo: um rapaz de vinte e poucos anos, gaúcho, estudante de Teologia na Bolívia, desapareceu nos Andes, quando fora escalar uma montanha de 6.300 metros. O rapaz não tem experiência alguma de alpinista, e ainda assim foi sozinho porque, segundo a mãe, queria ter uma experiência com o Espírito Santo, queria encontrar o Espírito Santo. Como achou que ele é boliviano e mora nos Andes foi fazer a escalada.

Com todo respeito: o que leva a uma pessoa a sair do Rio Grande do Sul onde há bons seminários, passando pelo Paraná, onde também os há, e ir estudar Teologia na Bolívia? Respeitosamente: desde quando a Bolívia tem expressão em ensino teológico? Este jovem não tinha um pastor que o orientasse? E o que leva alguém, sem experiência alguma, a escalar sozinho uma montanha de 6.300 metros para encontrar o Espírito Santo? De onde lhe veio a idéia de que numa montanha encontraria o Espírito? E como convertido e aparentemente vocacionado, ainda não encontrara o Espírito? O que ensinaram a este jovem na igreja e depois no seminário? Sei que a família está sofrendo e que é hora de consolar, mas não posso deixar de dizer: quanta gente tonta, sem noção das coisas, e usando a espiritualidade como pretexto para a falta de juízo! Mas isto é reflexo do cristianismo que pregamos e cantamos hoje em dia.
Cantamos autênticos absurdos teológicos e que se chocam contra a Bíblia, e ficamos por isto mesmo. As pessoas não pensam no que cantam, mas se apenas o ritmo é bom, agitado e as faz sentirem-se bem.

Temos um cristianismo cada vez mais sem Cristo, e cada vez mais com o Espírito Santo, sendo que por Espírito Santo as pessoas entendem uma experiência extra-sensorial. Porque uma experiência com o Espírito aproxima mais de Cristo, pois esta é sua missão. O evangelho está se tornando um ajuntamento de sentimentos, sensações, experiências místicas. Culpo um púlpito que não é exegético e corinhos ingênuos e até tolos.
Os muitos corinhos que enxameiam nossa liturgia nos fazem cantar tantas inconveniências que fico abismado que pessoas razoavelmente lúcidas em sua vida secular cantem aquelas letras. Boa parte delas é confusa, sendo difícil ligar uma linha à outra. Pessoas que são professores cantam tantos erros de português, em que "tua" e "sua", que são pessoas diferentes, se misturam e por vezes nem se sabe quando se fala de Deus ou de alguma outra pessoa. Raramente se fala de Jesus, e quando se fala dá para notar que Jesus é cada vez mais um conceito para dentro qual as pessoas projetam seus sonhos de consumo ou de classe média, que o Redentor e Salvador.
A linguagem é horrorosa: "mergulhar nos teus rios", "beber nos teus rios", "voar nas asas do Espírito", "subir o monte de Sião", "estar apaixonado por Jesus", "subir acima dos querubins", uma série de expressões que não fazem sentido algum.

Mas os compositores estão acima da crítica, mesmo quando fazem coisas ridículas, como andar de quatro em público. E quem canta os tais corinhos se sente bem. E também não aceita correção. Quem tenta corrigi-los em suas heresias e tolices é vaidoso, carnal, fossilizado, etc. O que vale não é se o que se canta é certo, mas se faz bem. As pessoas querem se sentir bem e ter alguma experiência. O conteúdo do que se canta é irrelevante. Sendo honesto: não agüento mais cantar corinhos! Chamem-me de vaidoso ou pernóstico, que não fará diferença, mas a maior parte dos corinhos, mesmo que na nova semântica se chamem pomposamente de louvor, é uma ofensa a quem sabe ler e interpretar um texto e tem uma noção mínima de conteúdo da Bíblia.

"Eu tenho a força!", bradava He-Man. Uma força mística, não divina, mas uma energia cósmica. Parece-me que é essa força espiritual que as pessoas buscam. Eles não querem aprofundamento no evangelho nem estudar a Bíblia. Eles querem sensações e experimentar uma força. O evangelho está se diluindo no esoterismo que grassa no mundo atual.
Esta é uma palavra especial aos pastores e ministros de música, que julgo eu, são as pessoas mais responsáveis pelo que acontece e que podem mudar a situação. Quero alinhavar algumas sugestões e lhes peço, respeitosamente, que pensem nelas.

1. FUJAM DO COPISMO

Chacrinha dizia que "na televisão nada se cria, tudo se copia". No cenário evangélico também. Há uma usina produtora de corinhos, de forma comercial, que massifica nossas igrejas. Nossos jovens cantam as mesmas coisas vazias em todos os lugares. Em várias igrejas se vê a mesma deselegância de adolescentes robustas, saltitando, num monte de véus, no que pretende ser uma coreografia, mas que mostra gestos descoordenados e deselegantes.
Chega a ser triste de ver as pessoas saltitando sem habilidade e com uns gestos que nada têm a ver com o ritmo da música.
E a gente fica sem saber o que fazer: se olha as jovens pulando, se pensa no que está cantando, se nota as figuras do multimídia, ou os erros de português das letras, ou ainda o embevecimento do chamado "grupo de louvor", que volta atrás, repete uma estrofe (quando há estrofe), tremelica a voz, faz ar de quem está sentindo dor. Mas é o padrão na maior parte das igrejas. Parece um shiboleth. Quem não faz assim corre risco de ser execrado. Porque os detentores da verdade litúrgica inovadora são fundamentalistas: fora do modelo deles não há louvor nem espiritualidade.
Mas eu pergunto: é preciso fazer tudo igual? Convencionou-se que sim, porque ser antiquado é uma ofensa inominável. E para alguns, fora do padrão corinhos e danças tudo é velharia e não há espiritualidade.
Se você é líder e não concorda, diga que não concorda. Não ceda por medo. Há pastores que têm medo de perder o pastorado e cedem a direção do culto aos jovens. Eles cantam, cantam, e depois se sentam e se desligam do resto da atividade, quando não saem do templo. Há um descompasso entre o que se cantou e o que se prega. Porque se canta um evangelho muito diluído. Há pastores que têm medo de perder o rebanho, massificado por este padrão, e o usam.
Tenho ido a igrejas em que pastores ficam alheios aos corinhos (recuso-me a chamá-los de "louvor"), mas dizem-me candidamente: "Eu não gosto, mas o pessoal gosta". Ele deixa de ser o orientador do povo e passa a ser um garçom que serve o que o povo gosta.
Ministro de música também age assim. E também está errado. Se estudou música e passou por um seminário deve ter uma proposta de liturgia menos medíocre e que atenda a todas as faixas etárias da igreja. É sua responsabilidade. Nossos cultos estão sendo empobrecidos pelos corinhos. A música é de baixa qualidade e as letras são aguadas. Os corinhos são cada vez mais efêmeros.

Ministro de música, não copie a pobreza musical e intelectual dos corinhos. Pensar não é pecado. E ser inteligente também não é. Se os "levitas" podem discordar dos que chamam depreciativamente de "conservadores", por que nós, conservadores, não podemos discordar dos "mediocrizadores" da música evangélica?

2. O QUE A BÍBLIA DIZ?

Tudo na igreja deve ser submetido ao crivo da Bíblia, inclusive o que se canta. Os compositores não estão escrevendo uma nova revelação e estão sujeitos ao crivo da Bíblia. Devem ser humildes e não pensarem de si como oráculos de Iahweh.
Quem queira "subir o monte santo de Sião" deve ler Hebreus 12.22-29 e ver que ele é um símbolo do evangelho, da igreja de Deus, e que cada crente já está nele. O monte Sião não tem nada para nós.
Quem queira "subir acima dos querubins" deve ler Isaías 14 e verificar que alguém quis fazer isto no passado e foi expulso do céu.

Quem cante "Quero ver a tua face, quero te tocar", deve se lembrar que Deus disse a Moisés: "Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá" (Ex 33.20).
As primeiras declarações de fé da igreja foram expressas em cânticos. Muitas afirmações litúrgicas do Novo Testamento foram expressões teológicas que firmaram os cristãos. Lutero firmou a Reforma com suas pregações, seus escritos, mas muito mais com seus cânticos. São cânticos que ficam na mente e muita gente está subindo o monte porque canta isto. A igreja precisa cantar sua fé e sua fé está na Bíblia. Toda letra de cântico deve ser submetida ao crivo bíblico. O certo não é o que a pessoa sente nem se o que ela canta lhe faz bem. O certo é o que está de acordo com a Bíblia.
O conteúdo do evangelho foi muito definido: Cristo crucificado. Mas pouco se cantam Cristo e a sua cruz. Precisamos cantar o ensino da Bíblia. "Doce canto vem no ar com a primavera, Flores lindas vão chegar com a primavera, Lírios, dálias e alecrins, Violetas e jasmins, O sol vai brilhar, passarinhos vão cantar, Com a primavera". O que isto tem a ver com Cristo, com a salvação, com a segurança dos salvos?
Temos abandonado a Bíblia como fonte de doutrina, trocando-a por revelações e sonhos de gurus. Temo-la abandonado como inspiradora de modelo gerencial para a igreja, assumindo padrões de administração humana. Muita pregação, mesmo com ela sendo lido, é apenas emissão de conceitos culturais, e sendo ela mero pretexto para o discurso. E temo-la deixado de lado como balizadora do que cantamos.
A função do cântico não é distrair as pessoas nem fazê-las sentir-se bem no culto, mas ensinar as grandes verdades de Deus. O culto deve ser doutrinador, sim. Preguei num congresso de jovens em Manaus, e deselegantemente, o dirigente tomou a palavra após minha fala e disse: "Não me interesso por doutrina, e sim por Jesus". Pedi o microfone de volta e fiz uma pergunta: "Sem doutrina, que Jesus você tem?".
Com nossos cânticos atuais, não temos Jesus. Em muitos deles temos um espírito de grupo, uma cultura grupal ou um Espírito que mais se parece com a Força de He-Man que com o Espírito Santo. É preciso subordinar tudo ao crivo da Bíblia. O evangelho está se tornando cada vez menos bíblico e mais sentimental. Porque está faltando Bíblia.

3. NÃO DESPREZE SUA HERANÇA TEOLÓGICA E LITÚRGICA

O terceiro aspecto que abordo é este: não despreze sua herança teológica e litúrgica. Há uma tradição que engessa e que fossiliza. Mas há uma tradição que enriquece e que dá balizamento. O evangelho não começou agora. A igreja não surgiu há alguns poucos anos. Os momentos de louvor e adoração não foram criados agora. Muitos deles, no passado, deixaram marcas profundas de avivamentos que impactaram a sociedade.
Até agora caí de tacape e borduna nos corinhos, sem abrir espaço para reconhecer que alguns sejam bons. Foi de propósito. Creio que consegui um pouco de atenção. Creio que há cânticos bons e que trazem conceitos espirituais seguros. São coerentes, biblicamente falando. E respeitam a herança teológica do protestantismo. Porque este critério também tem valor: os cânticos estão reafirmando nossa fé ou modificando a nossa fé? Infelizmente, a maioria me deixa desconfortado: não os canto porque não expressam minha fé, a fé em que fui criado, a "bendita fé de nossos pais", como diz um hino.

Nós temos um passado e não podemos fugir dele. A ignorância do passado leva a cometer os mesmos erros cometidos. Houve uma longa luta para firmar o cânon do Novo Testamento, e precisamos lembrar que é ele que interpreta o Antigo.
Muita gente tem cantado o Antigo Testamento, mas nós somos cristãos. Nós cantamos a fé em Cristo. Se o Antigo Testamento é pregado, deve ser interpretado pelo Novo. Se o Antigo é cantado, deve ser interpretado pelo Novo. Estão querendo rejudaizar o evangelho, questão que a igreja já resolvera em Atos 15 e contra a qual Paulo escreveu a sua mais dura carta, a epístola aos gálatas.
Somos filhos do Novo Testamento, e não do Antigo. Somos filhos dos evangelhos e das epístolas, e não de Salmos, embora Jesus os usasse. Mas seu próprio jeito de usar os salmos nos orienta: ele os reinterpretou em sua pessoa. Cantemos Jesus, cantemos a fé cristã e não meras sensações, cantemos a cruz, o túmulo vazio, o perdão dos pecados. Cantemos a Igreja, e não Israel. Somos cristãos e não judeus. Cantemos que "a cruz ainda firme está e para sempre ficará".

Somos salvos pela graça por meio da fé em Cristo. Não somos salvos pelo Espírito Santo nem por uma experiência litúrgica. O Espírito é uma pessoa e não sensações: "O Espírito Santo se move em você com gemidos inexprimíveis" é algo sem sentido. Ele geme por nós, em oração, com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). Mas não se move dentro de nós, com gemidos.
O ponto central do evangelho é Cristo e sua cruz. Este é nosso tesouro teológico, herança à qual devemos nos agarrar. Qualquer cântico que deslustre isto, que diminua Jesus, que esmaeça a cruz, é blasfêmia. Não quero cânticos de auto-ajuda. Quero Jesus e sua cruz. Quem tem Jesus não precisa de muletas emocionais. Quero cânticos bíblicos, de acordo com a fé que uma vez foi entregue aos santos (Judas 3).

CONCLUSÃO

Sei que foi uma palestra dura. Não vou me desculpar porque o que eu disse é o que eu creio. Sim, estou cansado da ditadura litúrgica que me parece associada a um fundamentalismo: só nós sabemos o que é espiritual e vocês estão fora, são do passado, são frios, são formais. Eu me recuso a cantar bobagens com roupagem espiritual. E desafio vocês a restaurarem a liturgia com conteúdo, com ensino. Desafio-os a não cederem à força da pobreza litúrgica que nos avassala.
Há algo mais comovente e com mais conteúdo que "Castelo Forte", "Aleluia", "Amazing Grace"? Por que a ditadura dos corinhos? Por que, no natal, sou obrigado a cantar que "quero voar nas asas do Espírito"? Que os compositores de corinhos componham música de boa qualidade com letras de conteúdo, e ajustada às épocas, também. Os corinhos são monocromáticos. Dizem sempre a mesma coisa. Nunca ouvi um exortando à confissão de pecados, falando do natal, da dedicação de crianças, da semana da paixão, de missões, da Bíblia como Palavra de Deus. Tudo é igual: louvar, adorar, contemplar, sentir-se bem. Não permitam a monocromia, que é sinal de pobreza.

Escrevi, tempos atrás, um artigo intitulado "Quero uma igreja velha". Esta palestra é um desabafo e um pedido de ajuda: "Socorro, quero um culto velho". Com a Bíblia exposta, com solenidade, com cânticos com nexo, com os grandes hinos de nossa fé, com Cristo e sua cruz brilhando. Sim, estou cansado da liturgia atual, que é pobre e alienante.