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quarta-feira, 18 de abril de 2012

TERMÔMETRO OU TERMOSTATO: QUE TIPO DE CRENTE VOCÊ É?



TERMÔMETRO OU TERMOSTATO: QUE TIPO DE CRENTE VOCÊ É?



                O termômetro é um instrumento inventado por Galileu no século 16. Trata-se de um aparelho que registra a temperatura, mas não pode alterá-la. O termômetro não tem poder de mudar o ambiente, muito pelo contrário, é afetado por ele. Está sempre subindo ou descendo de acordo com a temperatura. Mas o termostato, usado em aparelhos de ar condicionado e aquecedores, é um instrumento que tem a extraordinária capacidade de regular a temperatura ambiente impedindo-a de sofrer variação.
 
No que tange a vida cristã, somos termômetro ou termostato. Se você é termômetro, viverá sempre em altos e baixos espirituais, de acordo com as situações, ao sabor das circunstâncias. Mas o crente do tipo termostato, não vive de acordo com a inconstância das circunstâncias, mas, apesar delas, e acima delas. 

O apóstolo Paulo era um crente do tipo termostato. Isso fica evidente quando ele mesmo diz: “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação”. Filipenses 4.11 Ao fazer essa extraordinária declaração Paulo não está assumindo a postura dos estóicos que aspiravam a auto-suficiência. Para o estóico a eliminação de todo desejo e emoção era uma conquista humana que lhe permitia viver acima das circunstâncias. Todavia, não é isso que Paulo pretende. Ao tomar emprestada a palavra contente (autarkes), ele a transformou em algo totalmente diferente do homem auto-suficiente dos estóicos. O contentamento de Paulo mesmo em meio a circunstâncias terrivelmente desfavoráveis era um dom de Deus e não uma conquista humana. A capacidade de ser termostato é uma graça de Deus para todos quantos desfrutam da suficiência que há em Cristo. 

Paulo era tão humano quanto nós. Homem de carne e osso que viveu situações difíceis, entretanto não se comportou como um termômetro. Seu contentamento incondicional era uma evidência de que em Jesus Cristo há força “termostática”, razão pela qual ele podia dizer: “tudo posso naquele que me fortalece”. Que tipo de crente você é, termômetro ou termostato? 


Judiclay Silva Santos

sábado, 24 de março de 2012

OS LOUCOS NÃO SE UNEM



Um estudante de psiquiatria foi visitar um hospício acompanhado de um médico professor. Era um hospício enorme e eles adentram um dos pavilhões. Os pacientes eram distribuídos no pavilhão de acordo com a gravidade de sua doença mental e todos usavam um uniforme azul. O estudante de psiquiatria e médico professor estavam usando jalecos brancos. De repente o estudante começou a ficar preocupado porque eles estavam no meio de todas aquelas pessoas com distúrbios mentais. Ele se dirige ao professor e assustado pergunta: O senhor já pensou se eles se unissem contra nós? Somos apenas dois e eles dezenas. O medico esboçou um sorriso tranqüilo e disse: fique em paz, os loucos nunca se unem.


A igreja é uma comunidade de pessoas redimidas por Cristo chamadas por Deus para viver em comunhão, no poder do Espírito. A vida em comunidade é o projeto de Deus para a humanidade. Todos nós precisamos uns dos outros. Todavia, temos a pecaminosa e insana tendência de achar que somos auto suficientes. Charles Schultz, um cartoonista americano, criador da série de figurinhas do "Snoopy” colocou nos lábios do personagem Linus uma frase que permeia muitas mentes: “Eu amo a humanidade. O que eu não consigo suportar são as pessoas.”


Há muita gente adoecida e destituída de juízo, que nunca se une e jamais se mostra aberta a comunhão. Por conta da imaturidade, da meninice, do orgulho, da amargura e outras mazelas da alma cria-se abismos existenciais quando o ideal é construir pontes relacionais de afeto e amizade.

O amor é vulnerável. Quem escolhe amar assume riscos. Convivência e conflitos são inevitáveis, mas também são necessários e pedagógicos. A igreja é uma comunidade de pecadores suscetíveis a desgastes e frustrações que podem ferir o coração. Trata-se de uma via de mão dupla: ferimos e somos feridos. C. S. Lewis disse que “só há dois lugares onde estaremos salvo das decepções do amor. No inferno, por sua ausência e no céu, por sua perfeição”. Preservar a unidade da igreja no vínculo da paz e fortalecer a comunhão em Cristo é a vocação dos remidos. Os loucos não se unem, mas os crentes vivem na comunhão dos santos.

Pr. Judiclay S. Santos

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

UM NOVO ÂNIMO NO ALVORECER DE 2012


O apóstolo Paulo, na menor de suas epístolas, faz um sincero pedido a Filemom: “Reanime o meu coração em Cristo”(20). Mesmo Paulo, um gigante da fé, estava cansado. Na ocasião ele estava preso em Roma e chama a si mesmo de “Paulo, o velho”. (9) Na esperança de ser libertado em breve, ele também pediu: “Prepara-me um aposento”. (22) Paulo aguardava dias melhores, um novo ânimo e liberdade.

Todo ser humano - santos e pecadores, está sujeito a perder o ânimo, “aquela força motriz que põe tudo em movimento”. O desafio é receber um novo ânimo para continuar a jornada. Moisés, o experiente líder de Israel, deu uma necessária palavra de encorajamento a Josué, seu sucessor na liderança do povo: “Não tenha medo! Não desanime!” (Dt 31.8) Moisés sabia que sem ânimo, não se sai do lugar, não se avança, não se conquista nada.

Muitos chegam exaustos ao final de um ano de muitos desafios. Esse cansaço pode não ser apenas físico – emocional, mas também espiritual. Ninguém é capaz de manter o ânimo em todo tempo e em todas as circunstâncias. É certo que uma boa saúde, uma boa situação financeira, um bom relacionamento familiar podem tornar o desânimo menos freqüente, todavia nossa humanidade nos torna sujeitos ao desânimo.

Se você está desanimado, saiba que Deus é a fonte de todo genuíno ânimo. Pouco importa se a causa é por você conhecida ou não, se é de dentro para fora ou de fora para dentro. Deus pode usar pessoas, como Paulo mesmo pressupõe ao pedir a Filemom; pode mudar situações para lhe dar um novo ânimo no alvorecer de 2012

Que o bendito e Santo Espírito de Deus, nos ajude a entender e a experimentar as verdades anunciadas pelo profeta Isaías:

“Aos cansados ele dá novas forças e enche de energias os fracos. Até os jovens se cansam, e moços tropeçam e caem; mas os que confiam no Deus Eterno recebem sempre novas forças. Voam nas alturas como águias, correm e não perdem as forças, andam e não se cansam.” Isaías 40.29-31

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

SANTO E PECADOR!




SANTO E PECADOR
Simult Sanctor Et Peccator


Em 2 de outubro de 1840, Robert M. McCheyne escreveu uma carta de encorajamento a um amigo missionário na Alemanha. Naquele memorável texto, entre outras coisas, ele disse: “Não é tanto os grandes talentos que Deus abençoa, mas uma grande semelhança com Jesus. Um ministro de vida santa é uma tremenda arma nas mãos de Deus”. Subscrevo, integralmente, as palavras de McCheyne. Homens santos abençoam vidas, sobretudo num contexto caracterizado por tantas igrejas teologicamente confusas, moralmente fracas, socialmente inoperantes e espiritualmente decadentes. Ministros santos são vitais na reforma e avivamento da igreja; são bênçãos nas mãos de Deus.


Todavia, por melhor que seja um homem ele nunca deixa de ser homem. Existem fraquezas, limitações e pecados. Homens santos não são anjos, mas pessoas de carne e osso. O líder é alguém que simultaneamente é persona e pessoa. A persona é a imagem que ele mesmo projeta de si, consciente ou não. Persona é a imagem que é projetada sobre ele. Persona é a imagem, o virtual. Por outro lado, a pessoa é a digital da alma, aquilo que se é por dentro. A imagem nunca corresponde exatamente a realidade. Isso porque, todos ser humano, afetado pela Queda, em graus variados, esconde quem é e apresenta uma imagem idealizada de acordo com padrões aceitáveis. Não se trata de dupla personalidade, duas caras. Estou falando de um ser que é uma amálgama de virtudes e vícios em uma guerra intensa.


Penso que um dos desafios da igreja é lutar pela preservação da humanidade pastoral. O pastor precisa ser gente de carne e osso e não uma divindade com super poderes, temporariamente encarnada. Superestimar o pastor fazendo dele uma divindade impecável do tipo “superman” é um erro grave de consequencias perigosas tanto para o indivíduo quanto para a comunidade. De igual modo, subestimar o pastor, fazendo com que ele se sinta tão somente um objeto, uma peça no quebra cabeça da fé é um atentado com a própria igreja. Lutero definiu o cristão como sendo “santo e pecador ao mesmo tempo”. Concordo. Somos cinza; mistura de trevas e luz.



Se vocês me permitem uma metáfora poética. Somos lua porque Deus é sol. A lua não tem luz própria; é sem vida, mergulhada em densas trevas. Mas por causa do sol, a lua pode iluminar com intensa beleza e cumprir seu papel de abençoar a terra. O evangelho não pretende divinizar pessoas, criando semideuses. A obra de Cristo na cruz é o resgate da nossa verdadeira humanidade. Como Davi, oro todos os dias “O Senhor, meu Deus, derrama luz nas minhas trevas”(Sl 18.28).


Sete anos depois de ser ordenado pastor batista, reconheço que sou apenas um santo pecador, salvo pela soberana graça de Deus, “tendo recebido este ministério pela misericórdia” (2 Co 4.1). Posso dizer como John Newton: “Não sou o que era; não sou o que devo ser; não sou o que quero ser; não sou o que um dia espero ser; mas graças a Deus não sou o que fui antes, e é pela graça de Deus que sou o que sou”.

Judiclay S. Santos