terça-feira, 16 de março de 2010

FARIÑAS: “CONSIDERO O PRESIDENTE LULA UM ASSASSINO”

No site da Jovem Pan:O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome há 18 dias, segue em estado grave, porém estável, e continuará no hospital nos próximos dias. Em entrevista à JP, ele explicou que a greve de fome é um protesto contra a morte de Orlando Zapata Tamayo, preso político que morreu após passar 85 dias em greve de fome.

Para o dissidente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é cúmplice do assassinato de Zapata. “Considero que Lula é um assassino, ele poderia ter cancelado a visita a Cuba, mas não fez isso e preferiu negociar com o país”. De acordo com o cubano, Lula pode ser considerado um assassino ao lado de Raul Castro pois, para eles, Orlando Zapata Tamayo era um preso comum, e os líderes não respeitaram sua memória.

Fariñas, de 48 anos, apresentou alguns sintomas de melhora, com a pressão arterial mais estável, mas segue recebendo soros fisiológicos por via intravenosa. O dissidente começou o jejum há duas semanas, para pedir a liberdade de 26 presos políticos cubanos doentes, como disse e, em protesto pela morte do também preso político Orlando Tamayo, após uma greve de fome de quase três meses. Ouça a entrevista completa.

Para ouvir íntegra da entrevista, clique aqui

domingo, 14 de março de 2010

MAIS SÁBIOS DO QUE DEUS

Por Olarvo de Cavalho

Ao chegar à América em 1623, o governador William Bradford encontrou a colônia de Plymouth numa situação desesperadora: magros, doentes, em farrapos, sem atividade econômica organizada, os peregrinos estavam à beira da extinção. Muitos, depois de vender aos índios todas as suas roupas e demais bens pessoais, tinham lhes vendido sua liberdade: eram escravos, vivendo de cortar lenha e carregar água em troca de uma tigela de milho e um abrigo contra o frio.


Interrogando os líderes da comunidade em busca da causa de tão deplorável estado de coisas, Bradford descobriu que a origem dos males tinha um nome bem característico. Chamava-se “socialismo”.


Os habitantes de Plymouth, revolucionários puritanos exilados, trouxeram para a América as idéias sociais esplêndidas que os haviam tornado insuportáveis na Inglaterra, e tentaram construir seu paraíso coletivista no Novo Mundo. As terras eram propriedade comunitária, a divisão do trabalho era decidida em assembléia e a colheita se dividia igualitariamente entre todas as bocas. O sistema havia resultado em confusão geral, a lavoura não produzia o suficiente e aos poucos a miséria havia se transformado naturalmente em anarquia e ódio de todos contra todos.


A um passo do extermínio, a comunidade aceitou então a sugestão de mudar de rumo, voltando ao execrável sistema de propriedade privada da terra. “Isso teve muito bons resultados”, relata Bradford. “Muito mais milho foi plantado e até as mulheres iam voluntariamente trabalhar no campo, levando suas crianças para ajudar.” O surto de prosperidade que se seguiu é bem conhecido historicamente: ele permitiu que os colonos fincassem raízes na América e começassem a construir o país mais rico do mundo.


Homem de fé, Bradford não atribuiu a salvação da colônia aos méritos dela ou dele próprio, mas à mão da providência divina. O sucesso do sistema capitalista, escreveu ele, “bem mostra a vaidade daquela presunção de que tomar as propriedades pode tornar os homens mais felizes e prósperos, como se fossem mais sábios que Deus”.


Encontrei essa história na coluna de Mike Franc no semanário Human Events . Para mim ela era novidade completa, mas depois descobri que por aqui até os meninos de escola a conhecem. O documento clássico a respeito é o livro do próprio Bradford, Of Plymouth Plantation, 1620—1647 . Uma edição confiável é a de Samuel Eliot Morison (New York, Modern Library, 1967).


A experiência socialista em dose mínima teve no corpo da América o efeito de uma imunização homeopática. A arraigada ojeriza do povo americano às experiências coletivistas dura até os dias de hoje, malgrado as tentativas cíclicas de reintroduzi-las subrepticiamente por meio de manobras burocráticas que escapam ao controle do eleitorado, as quais terminam sempre no fracasso geral e no subseqüente retorno à constatação de Bradford: “Deus, na sua sabedoria, viu um outro rumo melhor para os homens.”


Há muita gente que, não gostando do socialismo, se curva de bom grado à sua pretensa necessidade histórica, sob a alegação de que o povo “precisa passar por isso” para aprender com a experiência. Uma das poucas coisas de que me gabo é nunca ter apelado a essa desculpa idiota para justificar meus erros. Adotei como divisa a máxima atribuída pelo povo gaiato ao ex-presidente Jânio Quadros -- “Fi-lo porque qui-lo” -- e, sem nada conceder ao fatalismo retroativo, considero-me o único autor de minhas próprias cacas (afinal, a gente tem de se orgulhar de alguma coisa na vida).


O problema com a experiência é a dose: a quantidade de veneno de cobra numa vacina não é a mesma da mordida real. O que educa não é propriamente a experiência, mas a rememoração meditativa depois dela. A condição para isso é que você saia da experiência vivo e não muito danificado. Uma coisa é a miniatura de socialismo numa colônia de peregrinos. Outra são décadas de ditadura socialista em extensões territoriais continentais como a da Rússia e a da China.


O Brasil ainda não chegou a esse ponto, mas já passou muito além do limite em que a experiência pode ensinar alguma coisa em vez de lesar o aprendiz para sempre. O vício estatista e coletivista é muito antigo e pertinaz, a intromissão do Estado na economia é muito vasta e profunda para que se possa simplesmente parar tudo de uma hora para a outra e meditar sobre o fracasso da experiência. Nem se pode designar com esse nome o que já se tornou um estilo de vida, uma cosmovisão, uma religião, um imperativo categórico investido de fatalidade quase cósmica: um empresário brasileiro sem subsídio estatal se sente tão desamparado quanto um inglês sem guarda-chuva, um russo sem vodca ou um italiano sem mãe. Inversa e complementarmente, não chegou a ser uma experiência a tentação de capitalismo liberal do brevíssimo governo Collor, punida exemplarmente pelo superego estatista sob o pretexto de crimes jamais provados e abortada na gestão subseqüente pelo escândalo das pseudo-liberalizações monopolistas, que um presidente socialista, patrono da revolução no campo e membro de carteirinha da Internacional temporariamente disfarçado em adepto da liberdade econômica, forçou para dar a seus correligionários o pretexto que queriam para voltar correndo aos braços do Estado-babá.


A imersão do Brasil na poção miraculosa do estatismo já durou tempo demais para que um mergulho ainda mais profundo e duradouro possa valer como experiência didática, exceto no sentido em que é didático trancar-se numa jaula com um tigre faminto para averiguar se come gente.


Mas até essa advertência é tardia: já demos esse mergulho, já estamos dentro da jaula. O tigre já está lambendo os beiços. Os que quiserem esperar para só tirar conclusões quando ele começar a palitar os dentes não terão tempo para isso, pois estarão espetados no palito, reduzidos à condição de fiapos de si mesmos.


Não há covardia mais torpe que a covardia da inteligência, a burrice voluntária, a recusa de juntar os pontos e enxergar o sentido geral dos fatos. Toda a chamada “oposição” nacional é culpada desse pecado que terminará por matá-la. Não faltam aí políticos e intelectuais que protestem contra afrontas isoladas, mas não há um só que consinta em apreender a unidade estratégica por trás delas, clara e manifesta, no entanto, para quem tenha algum estudo, por modesto que seja, da técnica das revoluções sociais.


Muitos são os que se sentem insultados pela proposta indecente de cursos especiais para o MST em universidades públicas, com concessão de diploma superior e dispensa de exame escrito, tendo em vista o direito dos doutores ao analfabetismo, já consagrado como um mérito na pessoa do sr. presidente da República e em parte na do próprio ministro da Cultura (seja isto lá o que for). Mais ainda são os que se revoltam contra a obstinada impossibilidade de punir qualquer mandatário petista, mesmo com provas cabais de crimes incomparavelmente superiores ao de um juiz Lalau, de um Maluf e de um P. C. Farias, todos somados.


O que não percebem é que, em ambos os casos, se trata da aplicação de um mesmo princípio básico da estratégia revolucionária, que é a progressiva substituição do sistema de legitimidades vigente por um novo sistema fundado na solidariedade partidária mafiosa. Não se trata nem de sugar vantagens ocasionais para o MST, nem de proteger improvisadamente um criminoso vermelho de colarinho branco. Estas são apenas oportunidades para a aplicação do princípio. Ao postular abertamente vantagens ilícitas para seus protegidos ou festejar descaradamente a impunidade do corrupto-mor, o esquema esquerdista dominante está enviando à nação uma mesma mensagem, que os analistas de plantão podem não perceber, mas que cala fundo no subconsciente do povo e impõe, com a força do fato consumado, o império da nova lei. Traduzida em palavras, a mensagem diz: “A velha ordem constitucional acabou. O Partido-Príncipe está acima de todas as leis. Ele é a fonte única de todos os direitos e obrigações.”


Em todas as revoluções socialistas, essa mudança do eixo da autoridade é ao mesmo tempo o mecanismo básico e o objetivo essencial. Na Rússia, anos de boicote à administração oficial e de parasitagem das suas prerrogativas pelos sovietes antecederam a proclamação explícita de Lênin ao voltar do exílio: “Todo o poder aos sovietes”. Há décadas o MST, que tem uma estrutura e composição interna absolutamente idênticas às dos sovietes – não constituindo uma organização agrícola, mas um todo político-militar complexo, com especialistas em todas as áreas, do marketing à técnica de guerrilhas – já vem habituando a opinião pública a aceitar passivamente a sua cínica usurpação de direitos auto-legados, passando por cima da lei. Desde o instante em que o governo do sr. Fernando Henrique Cardoso – cúmplice consciente de um processo que ele conhece mais do que ninguém – aceitou alimentar com uma pletora de verbas públicas uma entidade legalmente inexistente, estava instaurado o direito à ilegalidade em nome da superior legalidade revolucionária. Destruindo voluntariamente a ordem estabelecida, o sr. Cardoso teria sido objeto de impeachment se sua pantomima de “neoliberal” não tivesse entorpecido as lideranças políticas e empresariais hipoteticamente direitistas, tornando-as insensíveis ao desmantelamento da ordem, porque era preferível que viesse “de um de nós” em vez do espantalho petista. Cardoso elegeu-se com o simples endosso da frase “Esqueçam o que eu escrevi”. Poucos meses depois, seu conluio com o MST trouxe a prova de que ele próprio não se esquecera de nada.


Com a ajuda de uma popularíssima novela da Globo, as invasões de terras foram então legitimadas: a entidade sem registro recebia o registro daquilo que roubava. Muito mais importante do que a posse das terras era, para o MST, essa imposição da sua vontade como força superior às leis. Era, já, a transferência tácita do poder aos sovietes.


As terras podiam não servir de grande coisa, excluída a sua posição estratégica ao longo das estradas, nem sempre boa para o plantio, mas apta a paralisar o país numa futura e talvez até desnecessária hipótese insurrecional. Usá-las para plantar jamais entrou em consideração exceto no mínimo suficiente para jogar areia nos olhos da opinião pública. A prova é que, transformado pelo roubo oficializado no maior proprietário de terras que já houve neste país, o MST não produz sequer o necessário ao sustento dos seus membros, que se nutrem de alimento muito mais substancioso: verbas públicas, direitos usurpados, ocupação do espaço aberto pela legalidade acovardada que recua.


Quanto à impunidade do sr. José Dirceu, é extensão lógica da transformação do STF em assessoria jurídica do Partido-Príncipe. Não é um improviso espertalhão: é um capítulo previsível da história da imposição do poder revolucionário pelos meios esquivos e anestésicos concebidos por Antonio Gramsci mais de sete décadas atrás. Desde 1993 venho tentando chamar a atenção do empresariado, das Forças Armadas dos intelectuais não comprometidos com o poder esquerdista para a obviedade da aplicação do esquema gramsciano não só pelo PT, mas pelo conjunto dos partidos esquerdistas aglomerados no Foro de São Paulo. Passo por passo, etapa por etapa, anunciei antecipadamente cada novo lance da implementação da estratégia. Em vão. Excetuando cinco ou seis homens sensatos que compartilharam imediatamente das minhas preocupações, mas cujo número e poder eram inversamente proporcionais ao mérito da sua coragem intelectual, a resposta que recebi foi sempre a mesma, vinda das mais variadas fontes. Neste país de gente pomposa e burra, o estudo mais extenso, o conhecimento mais preciso dos fatos, a descrição mais exata do seu encadeamento racional nada valem diante do apelo a um chavão tranqüilizante. Despediam-se do problema por meio do rótulo “teoria da conspiração” -- e iam descansar seus traseiros gordos e suas consciências balofas no leito macio da traição passiva. Não perdôo ninguém: ricaços presunçosos, generais perfumados, senadores de musical pornô. E não me venham com patacoadas pseudo-evangélicas: Jesus ordenou perdoar as ofensas feitas a nós pessoalmente; jamais nos deu procuração para perdoar as ofensas feitas a terceiros, muito menos a uma nação inteira. Por isso lhes digo: vocês todos são culpados da degradação sem fim que este país está sofrendo. Tão culpados quanto qualquer José Dirceu. E nem falo daqueles que, percebendo claramente a debacle, se adaptaram gostosamente a ela, distribuindo medalhas a criminosos, subsídios a vigaristas, afagos a quem só não os mata porque não chegou a hora. Esses não pecaram por omissão: ao contrário, nunca agiram tanto. Alguns já colheram o fruto amargo da bajulação: foram esmagados sob o peso dos sacos que puxavam. Outros não perdem por esperar. Quando a injustiça se eleva ao estatuto de norma geral, ironicamente sobra sempre um pouco de justiça nos detalhes.


Mas, cavando um pouco mais fundo no estudo dos fenômenos acima apontados, descobre-se que a imposição cínica de direitos auto-arrogados não é nem mesmo um simples instrumento da estratégia de tomada do poder: é um traço constante e uniforme da mentalidade revolucionária, nascido muito antes de que esse instrumento fosse concebido por Lênin no contexto da via insurrecional e adaptado por Gramsci à estratégia capciosa da revolução anestésica.

Norman Cohn, em The Pursuit of the Millenium (Oxford University, 1961), assinala uma característica proeminente de certas seitas gnósticas medievais: seus adeptos sentiam-se tão intimamente unidos a Deus que se imaginavam libertos da possibilidade de pecar. “Isto, por sua vez, os liberava de toda restrição. Cada impulso que sentiam era vivenciado como uma ordem divina. Então podiam mentir, roubar ou fornicar sem problemas de consciência.”


Enquanto essas seitas se refugiavam em círculos estreitos de iniciados esotéricos, a pretensão de imunidade essencial ao pecado não passou de um delírio de auto-adoração grupal. Na entrada da modernidade, porém, como observou Eric Voegelin em The New Science of Politics (University of Chicago, 1952), essas seitas se exteriorizaram em poderosos movimentos de massas. Foi quando começou a Era das Revoluções. Transposta para a esfera da ação política, a autobeatificação permissiva deu origem à moral revolucionária que isenta o militante de todos os deveres morais para com a sociedade existente, santificando as suas mentiras e seus crimes em nome dos méritos de um estado social futuro que ele se autoriza a exibir desde o presente como salvo-conduto para praticar o mal em nome do bem.


Uma das primeiras manifestações dessa transmutação de uma falsa sabedoria esotérica em movimento revolucionário de massas foi, precisamente, a Revolução Puritana na Inglaterra. Nela já estão presentes todos os elementos da autobeatificação petista – e não só petista, mas esquerdista em geral, com especial destaque para a “teologia da libertação”: a absoluta insensibilidade moral aliada à reivindicação de méritos sublimes; a idealização do “pobre” como portador de uma sabedoria excelsa não apesar mas em razão de sua incultura mesma; a vontade férrea de impor seu próprio critério grupal de justiça acima de toda consideração pelos direitos dos outros; o mito da propriedade coletiva; a pseudomística de um Juízo Final terrestrializado e identificado com o tribunal revolucionário.


Pois bem, foram esses mesmos puritanos que, fracassado o intento revolucionário na Inglaterra, vieram criar seu simulacro de paraíso no Novo Mundo. A resistência da sociedade, que encontraram na Europa, ainda podia ser explicada como obstinação dos maus que não se rendiam à autoridade dos “Santos”. Mas o que os “Santos” encontraram do outro lado do oceano não foi nenhuma discordância humana: foi a resistência implacável da natureza material, a estrutura da realidade -- ou, em linguagem teológica, a vontade de Deus. A ela souberam no entanto conformar-se, diante da segunda derrota, os teimosos puritanos. Trocando seu orgulho pela humildade que lhes ensinava o sábio Bradford, tornaram-se mansos e herdaram a Terra.


No Brasil, a soberba dos revolucionários, alimentada pela covardia geral e pela cumplicidade de muitos Cardosos, ainda vai levar muito tempo para se chocar de encontro aos limites da realidade. Comparadas as proporções entre a experiência dos puritanos e a deles, não é provável que isso aconteça sem uma dose de sofrimento superior àquela da qual pode resultar algum aprendizado.

terça-feira, 9 de março de 2010

O FRANGO DO GOLEIRO BRUNO E O DIA INTERNACIONAL DA MULHER


O goleiro Bruno, atleta do Flamengo, se envolveu numa polêmica ao fazer uma infeliz declaração. Por conta da recente confusão envolvendo o atacante Adriano e sua noiva, o goleiro fez um comentário que pode ser considerado o maior frango de sua carreira. Ao defender o colega Bruno disse: "quem nunca brigou ou até saiu na mão com a mulher?". A triste e insensata declaração foi repudiada pelo conteúdo (no mínimo estúpido) e pela ocasião, o Dia Internacional da Mulher.


No dia seguinte, diante da enxurrada de críticas, o goleiro se retratou: “Gostaria de dizer a todos que fui mal interpretado e não sei se utilizei o termo correto. Tenho mulher e duas filhas que um dia vão crescer. Me expressei errado. Todas as mulheres do Brasil merecem respeito e carinho”. Se Jesus Cristo está certo ao dizer (eu creio que sim) que a boca fala o que o coração está cheio, o goleiro Bruno precisa fazer mais do que uma retratação, ele necessita de uma revisão no seu modo de pensar. Como dizia o brilhante Francis Schaeffer, “o modo de pensar determina o modo de agir”. As mulheres, no Brasil e no mundo, são muitas vezes e de muitas maneiras, vítimas de homens, cuja mentalidade má e perversa os leva a cometer todo tipo de vileza sem o menor escrúpulo. O mito da superioridade masculina é uma das razões para os variados casos de abuso contra a mulher, por palavras e ações.


A história revela que um dos maiores problemas da civilização antiga era o pequeno valor que era dado às mulheres. Elas eram vistas não como pessoas, mas como propriedade do pai e depois do marido. Na cultura judaica havia um baixo conceito das mulheres. Os judeus pela manhã agradeciam a Deus por ele não lhes ter feito: “um pagão, um escravo ou uma mulher.” Na cultura grega a situação era ainda pior. Xenofonte resume a realidade ao dizer: “A finalidade das mulheres é ver pouco, escutar pouco e perguntar o mínimo possível”. A mulher era vista como um objeto sexual. Demóstenes fez a estúpida declaração: “Temos prostitutas para o prazer; concubinas para o sexo diário e esposas com o propósito de ter filhos legítimos.” Em nome de uma suposta superioridade masculina, as mulheres foram vítimas de toda sorte de abusos.
O DIA INTERNACIONAL DA MULHER!


No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, na cidade de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo serviço) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.


Desde março de 1910, em uma Conferência na Dinamarca, o Dia Internacional da Mulher passou a ser comemorado no dia 8 de março. O objetivo não era apenas fazer uma homenagem, mas provocar a reflexão sobre inerente e inalienável dignidade da mulher. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia, erradicar qualquer prática que atente contra a honra da mulher, criada à imagem de Deus.


Nas modernas sociedades ocidentais já houve considerado avanço no que diz respeito aos direitos da mulher, mas elas ainda sofrem, em muitos lugares, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional.
A declaração do goleiro Bruno foi o reflexo de uma triste realidade. Esperamos que isso mude a fim de que as mulheres sejam respeitadas pelo seu inerente valor e dignidade. Ao invés de agressões que elas recebam respeito e atenção, carinho e amor.
Parabenizamos a todas as mulheres e desejamos que elas sejam tratadas como realmente são, bênçãos de Deus!

sexta-feira, 5 de março de 2010

POR CRISTO, ESTOU PRONTO ATÉ PARA MORRER!


A igreja de Cristo, desde o início, sobretudo nos três primeiros séculos, foi objeto de intensa e cruel perseguição. Mas apesar de sofrer estigmas e ser marginalizada, a igreja cresceu chegando até os confins da terra. Milhões de pessoas confessaram Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e o fizeram, conscientes de todos os riscos dessa confissão. O notável historiador da igreja Philip Schaff nos ajuda a entender como se deu esse impressionante crescimento.


“Não havia sociedades missionárias, nem instituições missionárias, nenhum esforço organizado nos três primeiros séculos; e em menos de 300 anos a população toda do império romano, que representava o mundo civilizado, foi nominalmente cristianizada. Cada congregação foi uma sociedade missionária, e cada cristão um missionário inflamado pelo amor de Cristo para converter seu amigo. Cada cristão contou a seu próximo, o trabalhador ao seu companheiro de trabalho, o escravo a seu amigo escravo, o servo a seu mestre e mestra, a história da sua conversão, como um marinheiro conta a história do resgate de um naufrágio”.




Cada cristão via a si mesmo como um missionário. Aqueles irmãos causaram um enorme impacto no mundo pelo fato de levar a sério o mandato missionário: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. (Mc 16.15) Na mentalidade e prática dos primeiros cristãos, a proclamação do evangelho não era opcional ou restrita a alguns. O pecado de transferir responsabilidades era não era comum. Eles não cogitavam a idéia de terceirizar o que o Senhor havia confiado a cada um deles em particular. Todos tinham consciência do dever e do privilégio de que eram ministros da nova aliança que atuavam como embaixadores de Deus no mundo anunciando a reconciliação por meio de Cristo.


A realidade hoje é outra. Em uma época caracterizada pelo o hedonismo, onde cada pessoa busca a sua felicidade acima de tudo e de todos, é cada vez mais raro encontrar pessoas cujo ideal seja dar a sua vida por uma causa ou por uma pessoa. No passado, fascinadas por certas ideologias, as pessoas se sacrificavam por um ideal. Na pós-modernidade, isso de se dá por uma causa ou pessoa, já não encontra espaço. Talvez isso explique porque 95 % dos crentes nunca ganharam uma pessoa para Cristo.


A falta de zelo e paixão pela obra missionária denuncia a preocupante condição da igreja de hoje. Como dizia Andrew Murray: “Quando buscamos saber por que, com tantos milhões de cristãos, o verdadeiro exército de Deus que está enfrentando os exércitos da escuridão é tão pequeno, a única resposta é: falta de coração e entusiasmo. O entusiasmo pelo reino de Deus está faltando, porque há tão pouco entusiasmo pelo Rei”.


Wilson Sarli conta um fato que ocorreu na guerra russo-japonesa. Em algum momento da ofensiva, os soldados japoneses se depararam com uma cerca de arame farpado, colocada ali pelos soldados russos para dificultar o avanço das tropas inimigas. Diante daquele obstáculo, o comandante, num apelo dramático, convocou voluntários para remover aquela cerca, dizendo-lhes: “Esta é uma chamada de morte...”. “Vocês não levarão consigo fuzis, apenas tesouras. É possível que, quando estiverem removendo o obstáculo, a metralhadora do inimigo os dizime, mas tenham a certeza de que os exércitos japoneses passarão por cima dos seus cadáveres para a vitória”.


Então fez um apelo: “Todos aqueles que amam seu imperador, que estão dispostos ao sacrifício, dêem um passo à frente”. Emocionado, o moço disse-lhe: “Todos os soldados deram um passo à frente”.


Concluindo a narrativa, aquele jovem japonês olhou para seu amigo cristão e fez uma tocante declaração: “Se vocês, cristãos, amassem Jesus Cristo como amamos nosso imperador, há muito que teriam ganhado o mundo para Ele”.


De fato, a “A falta de entusiasmo pelo Reino é um sinal de falta de amor pelo Rei”.


Os discípulos de Jesus Cristo receberam do seu Senhor o mandato de anunciar o evangelho. É nosso dever oferecer a própria vida na propagação do Reino de Deus e assim glorificar aquele que nos amou e por nós quis morrer.


O apóstolo Paulo, o bandeirante do evangelho, foi grandemente usado por Deus e permanece como um excelente exemplo de serviço diligente que glorifica a Deus.


Em sua viagem a Jerusalém ao chegar à cidade de Cesaréia, os irmãos começaram a chorar ao considerar a iminente prisão de Paulo. Lucas registra as palavras do apóstolo, que na verdade revelam o coração de um homem que amava o Senhor sobre todas as coisas e fazia tudo para promover a glória de Deus.


Que fazeis chorando e quebrantando-me o coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. Atos 21.13


Estou pronto até para morrer! Essa prontidão para ir até as últimas conseqüências a fim de glorificar o nome do Senhor Jesus é o que determina o avanço ou a estagnação da obra missionária.

ANDAR COM DEUS


O reverendo Handley Moule, conhecido por sua notável piedade, escreveu profundas verdades sobre a santidade cristã. Disse ele que uma das maiores necessidades dos cristãos é estabelecer como alvo de vida, o andar com Deus. Leia essa sábia exortação e sinta-se chamado a andar com Deus na luz da sua santa presença.


"Nosso alvo é, no mínimo, andar com Deus o dia inteiro; descansar em Cristo a toda hora; amar a Deus de todo coração e o nosso próximo como a nós mesmos... "render-nos a Deus"... afastar-nos de todo mal e seguir tudo que é bom... Estarmos absolutamente decididos a abandonar completamente todo propósito secreto de concessão moral; toda tolerância que abrigue o pecado... Não podemos de forma alguma abrir mão de andar diariamente, continuamente, de hora em hora com Deus, em Cristo, pela graça do Espírito Santo".


Caro leitor, se você tomar a decisão de andar com Deus em comunhão constante sua vida será outra.

terça-feira, 2 de março de 2010

A SANTIDADE DO SEXO


Em 1963, década da famigerada revolução sexual, o cantor americano Bob Dilan expressou através da música a filosofia da época:

Venham mães e pais / Em todo país / E não critiquem o que vocês não conseguem entender/ Seus filhos e suas filhas estão além do seu controle/ Seu caminho do passado está envelhecendo rapidamente,

A canção de Bob Dilan é um eco do movimento hippie que dizia:

FORA COM O VELHO: FAÇA AMOR NÃO FAÇA GUERRA.
Por trás de todos esses movimentos revolucionários havia uma clara intenção: abolir a velha moralidade sexual judaico cristã, que ainda norteava boa parte do ocidente, e implantar a nova moralidade, que consistia em normalizar o anormal.

Em 1948 Alfred Kinsey publicou o livro: A conduta sexual do macho humano. Esse livro com a sua militância ideológica, o elevou a categoria de pai da revolução sexual. Kinsey era darwinista devoto e acreditava que o homem era um animal com um grau elevado de inteligência, logo nenhuma prática sexual poderia ser considerada imoral. Tudo era válido, tudo era permitido. Como Bob Dilan cantou o caminho do passado envelheceu rapidamente dando lugar a um tempo não apenas de relativismo moral, mas de amoralidade – com total ausência de absolutos morais.

A questão importante a entender é que essa revolução não implantou nada novo. O que houve foi uma substituição. Foi abolida a moralidade sexual cristã e em seu lugar entrou a visão pagã greco-romana de sexualidade, prevalecente até hoje.

CONTEXTO GRECO ROMANOGregos e romanos andaram de mãos dadas no modo de pensar e agir no que tange a sexualidade. Na Grécia havia o deus Eros, o deus do sexo, cultuado por milhões.

Platão, o famoso filósofo grego, propõe abertamente, em duas de suas principais obras, Leis e República o fim do casamento e a livre expressão sexual. Ele defende a pedofilia e o homossexualismo.

O termo lésbica deriva da história da poetisa grega Safo, que vivia na ilha de Lesbos no 6° século A.C Ela escrevia poemas pornográficos que exaltava a relação sexual entre as mulheres.

Outro grego, um homem chamado Sólon, foi o primeiro a legalizar a prostituição e a abrir prostíbulos do Estado, o lucro era usado para construir templos aos deuses. Em Corinto o templo da deusa Afrodite, tinha 1200 prostitutas de plantão.

Ao estudar a história desse tempo é raro encontrar um grande personagem que não tivesse a sua hetaira, a sua amante.

Demóstenes, o maior orador grego, declarou que “os gregos têm prostitutas para o prazer, concubinas para as necessidades diárias do corpo e esposas para procriar filhos”.

O clima moral do Império Romano era absolutamente degradante, um caos sem leis e sem limites. A imoralidade era algo comum em todas as camadas da sociedade. A luxúria estava presente nos palácios e nas choupanas. Era um tempo similar ao nosso, onde havia uma palavra de ordem: É PROIBIDO PROIBIR.

As mulheres eram terrivelmente sensuais e promíscuas. Sêneca diz que as mulheres casavam-se para divorciar e se divorciavam para casar. Juvenal diz que a própria imperatriz romana Messalina, esposa de Cláudio, deixava o palácio à noite para servir a prostíbulos.

Gibbom, afamado historiador afirma que dos 15 imperadores romanos, 14 eram homossexuais. Calígula vivia em um incesto habitual com a sua irmã Drusila. A sociedade greco-romana era vergonhosamente imoral.

A IGREJA DE JESUS CRISTO
Em meados da década de 50 do 1° século, Paulo implantou a igreja de Jesus Cristo na cidade de Tessalônica. A cidade recebeu esse nome em homenagem a irmã de Alexandre, o grande, e era a capital da Macedônia. Uma das maiores cidades do mundo antigo com 200 mil hab. ainda hoje é a 2° maior cidade da Grécia.

Os crentes de Tessalônica viviam, obviamente, no contexto greco-romano, caracterizado pelo baixíssimo nível moral. Era uma igreja na sua maioria composta de novos crentes que precisavam, entre outras coisas, receber orientação acerca da santidade do sexo, a fim de viverem de modo agradável a Deus. Egressos de uma cultura pagã e alienada de Deus, na condição de novos crentes, eles precisavam, entre outras coisas, orientação acerca da sexualidade sadia. Paulo, sob a graça de Deus, faz uma exortação que aos longos dos séculos tem sido uma diretriz para todos quantos querem preservar a santidade do sexo.

1 Tessalonicenses 4.1-8:

Finalmente, irmãos, nós vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como de nós recebestes, quanto à maneira por que deveis viver e agradar a Deus, e efetivamente estais fazendo, continueis progredindo cada vez mais; porque estais inteirados de quantas instruções vos demos da parte do Senhor Jesus.

Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição;que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador,porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação.Dessarte, quem rejeita estas coisas não rejeita o homem, e sim a Deus, que também vos dá o seu Espírito Santo.
Tanto quanto os tessalonicenses do primeiro século, quanto nós hoje, precisamos ser instruídos na Palavra de Deus. Entender a santidade do sexo é de vital importância tendo em vista que vivemos em um contexto tão devasso quanto àquele em que Paulo viveu.

Vivemos em uma cultura sexólatra que presta culto ao corpo. Existe uma forte idolatria ao corpo, que é adorado por milhões de pessoas. Nudismo agora é arte e a pornografia é uma indústria que cresce com a conivência das autoridades públicas. Esse é o tempo do império do hedonismo, do prazer barato. Pudor, vergonha e respeito são cada vez mais palavras que parecem fazer parte de uma fraseologia ultrapassada.

Meus queridos, à luz das Escrituras Sagradas o sexo puro, bom e deleitoso foi criado por Deus. Todavia, por conta da corrupção do coração humano o sexo está sendo banalizado, comercializado e ultrajado. Os cristãos são alvos de zombaria e de preconceito por defender a pureza sexual, a monogamia, a castidade, a fidelidade conjugal. Enquanto isso, a moralidade é celebrada, o adultério é estimulado e a homossexualidade é aplaudida. A ditadura homossexual segue recebendo o apoio político do governo federal. Como disse alguém: “Na Monarquia o homossexualismo era proibido, na República passou a ser tolerado, hoje em dia é incentivado, vou embora do Brasil, antes que seja obrigatório”.

Movimentos filosóficos questionam os absolutos morais e propõe a relativização de tudo. Há muitos parlamentares, deputados e senadores, em muitas nações do mundo, que estão legislando contra a família. Em nome de uma falsa liberdade a humanidade está sendo escravizada por suas paixões carnais e sofrendo assim as conseqüências do abandono da verdade. Assim sendo, cada um faz o que quer.

A sexualidade é uma das áreas mais sensíveis da vida humana. Nós precisamos tratar sobre este magno assunto na perspectiva bíblica e buscar orientação verdadeira e segura para nossa vida. Peço a Deus que sejamos todos assistidos pelo Espírito Santo da verdade e que nossos corações e mentes estejam inclinados para ouvir a Palavra do Senhor.

Em sua exortação aos tessalonicenses, Paulo indica o caminho de Deus para preservar a santidade do sexo, puro, santo e deleitoso, como foi criado por Deus. Para preservar a santidade do sexo Paulo faz três exortações:

1) ABSTINÊNCIA DA IMPUREZA SEXUAL“A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham si da imoralidade sexual”. 1 Ts 3.1 (NVI)

2) CONTROLE DO CORPO (4.4)Que cada um de vós saiba possuir o corpo em santificação e honra.

3) REJEIÇÃO DOS DESEJOS LASCÍVOSNão com desejos de lascívia como os gentios que não conhecem a Deus, que, nesta matéria, ninguém ofenda, nem defraude a seu irmão. 1 Ts 4.5,6b

Quem pratica a impureza menospreza o recurso que Deus oferece para uma vida santa: O Espírito Santo nos foi dado como santificador. Andar em impureza é entristecer o Espírito Santo, é apagar o Espírito Santo, é ultrajar o Espírito Santo.
Deus não apenas nos chama para a santidade, mas nos dá poder para vivermos uma vida santa.

“Como pode o jovem manter pura a sua conduta? Vivendo de acordo com a tua palavra. Eu te busco de todo coração; não permitas que eu me desvie dos teus mandamentos. Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti”. Sl 119.