segunda-feira, 3 de agosto de 2009

NEGLIGENCIA COM A PREGAÇÃO - UMA VERGONHA!

Até ontem eu estava de férias. Tive o privilégio de descansar em um dos lugares mais belos do Brasil, a Região dos Lagos, no Estado do Rio de Janeiro. Visitei algumas lindas cidades e praias maravilhosas. Eu e minha família vivemos dias inesquecíveis. Mas algo aconteceu que partiu o meu coração. Visitei uma igreja a fim de participar do culto público. Tudo parecia ir bem até o pastor assumir o púlpito para pregar. De imediato, logo após a saudação, ele disse: “Meus queridos, não se preocupem. Não vou tomar muito do tempo de vocês. Daqui a pouco vocês estarão em casa almoçando”. Em seguida a essa espantosa declaração, o que ouvimos foi um emaranhando de idéias desconectas. Embora não estivesse nervoso, estava perdido. Vergonhosamente despreparado. Vi com os meus olhos um homem sofrendo para dizer alguma coisa, embora ele mesmo não soubesse o que. Ao término da “pregação”, ele contou uma historieta medíocre com a visível intenção de comover a congregação. Tolo e inútil artifício. Mas uma vez, como repetidas vezes acontece em todo país, a igreja de Cristo deixou de ser edificada através da pregação da Palavra de Deus.

Em muitos aspectos vivemos um tempo similar àquele que antecedeu à Reforma Protestante do século 16. No que tange a pregação da Palavra de Deus, a similaridade é grande. Naqueles dias, assim como hoje, o ministério da Palavra estava em declínio, para não dizer, totalmente arruinado. Hugh Latimer, um dos reformadores ingleses, em seu famoso “sermão do arado” pregado na Catedral de São Paulo, no dia 18 de janeiro de 1548, apresentou um retrato da realidade com as seguintes palavras:

“Quem dera nossos prelados fossem tão diligentes para semear os grãos de trigo da sã doutrina quanto satanás o é para semear as ervas daninhas e o joio!” e advertiu com muita propriedade: “Onde o diabo está em residência e está com o seu arado em andamento, ali: fora os livros e vivam as velas!; fora as Bíblias e vivam os rosários!; fora a luz do evangelho e viva a luz das velas – até mesmo ao meio dia!; [...] vivam as tradições e as leis dos homens!; abaixo as tradições de Deus e sua santíssima Palavra[...]"

A situação nas igrejas cristãs, salvo as honrosas e raras exceções, é de extrema pobreza e mediocridade nos púlpitos. Por todo lado há almas famintas e sedentas, totalmente carentes de conhecer o “evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”, mas falta quem pregue a sã doutrina. Há muitos animadores de auditório, especialistas em entreter, mas totalmente inaptos a apascentar a Igreja com “todo conselho de Deus”. Dominicalmente é oferecida a igreja uma sopa rala que por sua natureza não nutre nem produz genuíno crescimento. O brilhante John Owen declarou que “o primeiro e principal dever de um pastor é alimentar o rebanho pela pregação diligente da Palavra”. Eis uma das maiores necessidades da igreja contemporânea: verdadeiros e diligentes pregadores da Palavra de Deus.

A Reforma, a despeito de todas as acusações de seus detratores, deixou um glorioso legado ao cristianismo, o resgate da pregação pública da Palavra de Deus. Lutero, Calvino, Zwínglio, Knox nenhum deles inventou a pregação, mas certamente lutou para que ocupasse a primazia no culto cristão. Eles exortavam os que estavam sob a sua liderança e eles mesmos buscavam para si, a excelência na pregação da Palavra Para tanto, eles tinham um pressuposto e uma motivação. Eles entendiam que a pregação da Palavra de Deus é “um meio de graça indispensável e sinal infalível da verdadeira igreja”. A incansável luta desses gigantes da fé tinha como alvo a glória de Deus. Esta era a santa motivação para subir ao púlpito e anunciar o evangelho da graça.

A verdadeira pregação é a VIVA VOX EVANGELLI, a viva voz do evangelho. Não existe pregação sem exposição do evangelho que anuncia toda glória ao Deus de toda graça. Negligenciar a pregação da Palavra é sufocar o evangelho. As igrejas estão adoecidas, entre outras razões, por conta da negligencia dos pastores quanto a genuína pregação do evangelho.

O Dr. Martin Lloyde Jones, em seu notável livro, Pregação e Pregadores, comenta sobre um dos mais notáveis pregadores do século 19, o escocês Robert Murray McCheyne:

“É o comentário geral que quando aparecia no púlpito, mesmo antes de dizer alguma palavra, o povo já começava a chorar silenciosamente. Por que? Por causa deste elemento de seriedade. Todos tinham absoluta convicção de que ele subia ao púlpito vindo da presença de Deus e trazendo uma palavra da parte de Deus para eles”.

Encorajo a todos que foram chamados para pregar o evangelho que o façam com integridade e excelência, na dependência e no poder do Espírito, tendo Cristo como centro da mensagem e a glória do Pai como alvo supremo. Aos pregadores do evangelho, a exortação de Alexander Whyte a um jovem pregador é oportuna: “Nunca pense em abrir mão da pregação! Os anjos em derredor do trono invejam sua grandiosa obra.”

sábado, 18 de julho de 2009

ZÉ SARNEY - AFINAL, A QUEDA DE UM IMPOSTOR?

Por Ipojuca Pontes

"Impostor: Que ou aquele que tem ou pratica impostura; embusteiro" - Novo Dicionário Aurélio

Ao que tudo indica Zé Sarney, o Impostor, tal como Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Renan Calheiros, vai ter de largar - mais cedo ou mais tarde - as delituosas delícias da presidência do Senado Federal, às quais se aferra como um cão faminto diante de um osso suculento.

É verdade que Lula da Silva, o Cínico, faz de tudo para mantê-lo no cargo, visto que dele precisa para traçar o baralho (sujo) da manutenção do poder, vale dizer: 1) Tornar viável a duvidosa candidatura de Dilma "Michael Jackson" Rousseff à presidência da República; 2) Sustentar a subserviência do PMDB e dominar as votações de interesse do governo no plenário do Senado; 3) Controlar com mão de ferro a explosiva CPI da Petrobras, o cofre forte petista; 4) E, o mais importante, ampliar o deletério processo de "transição para o socialismo", objetivo principal do PT desde janeiro de 2003, quando se assenhoreou do Poder.

(Adendo 1: De todo modo, se Lula insistir em manter Zé Sarney na presidência do Senado, como vem fazendo, o desgaste será maior, não só para o seu partido - o famigerado PT, umbilicalmente ligado à corrupção - como para o próprio Zé Sarney, que correrá o risco de ser apedrejado publicamente, como já o foi, de resto, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, em junho de 1987, quando dividia o Executivo Nacional com o Dr. Ulysses - o homem que, com a Constituição Cidadã, tornou o "País ingovernável", presa fácil da demagogia utópica da politicagem esquerdista. Só para lembrar: no levante do Paço Imperial, ao apedrejar o atual presidente do Senado, a massa enfurecida gritava em estribilho: "Sarney, salafrário! Está roubando o meu salário!")

De fato, se o leitor examinar com o mínimo de objetividade a vida pregressa do País, há que reconhecer em Zé Sarney o pior e mais nocivo homem público brasileiro de todos os tempos, aí incluído o período do Brasil Colônia, do Império e das duas Repúblicas: a Velha e a Nova. De relance, lembro que alguns cronistas da nossa tumultuada história política costumam citar, como exemplos clássicos de maus homens públicos, Francisco Gomes da Silva, o "Chalaça", vil secretário de Pedro I; Artur Bernardes, que governou (mal) a nação em permanente Estado de Sítio; e, no Brasil moderno, as figuras de Ademar de Barros, Paulo Maluf e Collor de Mello (com o PC Farias à tiracolo) - mas o fato concreto é que Zé Sarney suplantou a todos eles, em ambição, esperteza, pequenez e intrujice.

Com efeito, tudo na atribulada vida do político Sarney carrega o estigma da impostura, a começar pelo nome: de José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, passou à Zé de Sarney (prenome adotado pelo pai) e, afinal, a partir de 1965, se fez José Sarney de Araújo Costa, na certa para esconder a vulgaridade do Ribamar.

O atual presidente do Senado, pelo que se sabe, sem ter feito outra coisa na vida a não ser política, é um homem rico, aliás, riquíssimo. Ele tem propriedades, mansões, bens diversos, salários vultosos, bons dividendos, dólares no exterior, jornal, rádio e televisão, etc. Há quem conteste, todavia, que ele tenha acumulado fortuna de modo ilícito. De fato, morando há mais de 40 anos de graça em palácios, com serviçais, secretárias, comida, transporte aéreo, carro, chofer, gasolina, auxílio moradia, sofisticados plano de saúde, Net, internet, verba de representação e correios, barbeiro, diárias em viagens (para dentro e fora do país), sem falar nas mordomias de praxe - bem senhores, falando francamente, se o homem não tivesse ficado podre de rico poderia até ser mal interpretado.

(Adendo 2: Mas é no plano intelectual que o embuste Sarney atinge o patético. Para se exibir como um "homem público respeitável", o político matreiro, que é incapaz de pronunciar uma frase com fluência e sem tropeços, se apresenta nos ambientes com o apuro de um amanuense formal (jaquetão e bigode pintado de acaju). Por outro lado, para vendar a imagem do "escritor consagrado", não sei se com a grana da Viúva, vez por outra viaja à Paris para lançar livros que ninguém lê, na ilusão subdesenvolvida de que, em assim fazendo, terá assegurado a condição de "personalidade literária", aqui. Por conta de tal engodo, mesmo escrevendo tolas anedotas em forma de má ficção, tornou-se "imortal" da Academia Brasileira de Letras, distinção com a qual procura camuflar, orgulhoso, a reconhecida mediocridade.

Detalhe: nos saraus literários, por sua vez, contraditoriamente, o impostor encena a pachorra do Estadista circunspeto, sem desconfiar que, para a maioria dos presentes, longe de ser "uma personalidade literária", passa por rematado "coronelão" da roça, senhor de práticas políticas ordinárias).

No Maranhão, onde já foi governador e se fez inúmeras vezes (por conta de métodos medievais) deputado e senador, tudo carrega o seu nome ou o nome dos seus familiares: escolas, hospitais, maternidades, praças, avenidas, mercados públicos, estradas, fórum, aeroporto e, segundo rumores, até mesmo a placa de modesto chafariz. Curiosamente, em que pese ter se apropriado do Estado há mais de 40 anos, e feito da filha Roseana governadora (duas vezes), o Maranhão registra os piores indicadores econômicos e sociais do País, segundo dados do IPEA e do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

É fato que o Maranhão já era pobre antes do advento de Sarney e herdeiros. Com ele no poder, no entanto, as imagens de miséria registradas na reportagem "Maranhão 66" (feita de encomenda por Glauber Rocha, paga à LC Barreto com o mísero dinheiro público), multiplicaram-se aos borbotões.

Com efeito, a partir da Dinastia Sarney, iniciado com o próprio Zé em janeiro de 1966, o Estado nordestino virou uma calamidade nacional: ali se encontram, ainda hoje, os piores índices de renda per capita do país, o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a maior taxa de mortalidade infantil, a maior taxa de analfabetismo, a menor taxa de escolaridade, o maior número de habitações sem serviços de água, esgoto e energia elétrica - e por ai segue o barco das aflições. É ver (e ouvir) para crer: na terra do clã Sarney, a infelicidade chegou a tal ponto que o nativo graceja chamando-a de "Estado do Piorão" - a reunião dos fundos do Piauí com todo território do Maranhão.

No entanto pior, muito pior, se deu quando o político matreiro chegou à Presidência da República, cargo que assumiu inadvertidamente por conta da morte súbita de Tancredo Neves. Nele, Sarney ultrapassou todos os índices de incompetência e pusilanimidade, conduzindo um governo caótico que deixou como legado a hiperinflação anual de 1.751% - o que decerto fez como que o povo carioca, num ímpeto de desespero, o apedrejasse em praça pública - fenômeno único na vida política nacional.

No cargo de presidente, o "Estadista do Brejal dos Guajás" transformou a nossa vida pública numa extensão da privada (me refiro, tal como o Barão de Itararé, ao vaso sanitário). Permissivo, mais que permissivo, relapso, o velho "coronelão" fez de tudo para arruinar a vida do povo brasileiro que o malfadado destino, por obra do acaso, lhe colocou nas mãos. Tal qual um estróina febril, ele criou ministérios inúteis, desperdiçou bilhões (de cruzeiros e cruzados) em obras inacabadas; fomentou como ninguém (até então) o empreguismo, distribuindo concessões de rádios e televisões a mancheias em troca de votos e apoio político (objeto de rumorosa CPI); e, o mais daninho, prodigalizando subsídios e isenções fiscais em profusão, enriqueceu milhares de parasitas e levou o País à desagregação social e à corrupção desenfreada.

Adendo 3: A permanência de Sarney na Presidência da República foi tão acentuadamente nefasta que o próprio Lula, cínico que nunca vê corrupção em parte alguma, em discurso público pronunciado em 1987, em Sergipe, tratou-o por "impostor e ladrão"; e por causa de sua permissiva gestão como presidente, Collor de Mello, até então obscuro governador das Alagoas, se fantasiou de "Caçador de Marajás" e candidatou-se à Presidência da República, prometendo prendê-lo caso chegasse ao Palácio do Planalto - promessa que, obviamente, nunca cumpriu, tornando-se hoje um seu aliado).

Depois de levar o País à ruína, Zé Sarney, longe de ser preso ou mergulhar em merecido ostracismo, arrumou um mandato de Senador da República pelo Amapá, Estado que estrategicamente ajudou a criar. E a partir daí, prestando total vassalagem às figuras de Itamar Franco, Fernando Henrique (duas vezes) e Lula da Silva - como antes servira aos deletérios presidentes Jango e Jânio e, a partir de 1964, aos "ditadores militares" -, o virtuoso literato de "Brejal das Guajás" (tido por Millôr Fernandes como um "Bestialógico em estado puro") se fez três vezes Presidente do Senado, cargo que atualmente ocupa, mal e porcamente. Neste posto, sua ligação com escândalos os mais cabeludos atingiu tal evidência, que o grosso da população brasileira quer vê-lo pelas costas. (Vide, s'il vous plait, na Internet e nas secções Cartas do Leitor dos principais jornais do País, a campanha "Fora Sarney").

Mas, verdade seja dita, não há nada de novo front. Como presidente do Senado, Sarney não mudou milímetro na postura de político manhoso, esperto, leniente e pusilânime. Desde que ocupou o posto (pela primeira, em 1995), permitiu que ali se instalasse uma verdadeira quadrilha organizada, tendo à frente uma "cria" sua, Agaciel Maia, o ex-diretor-geral do Senado, funcionário que omitiu da declaração patrimonial uma mansão de R$ 5 milhões, além de manter sob injustificável sigilo mais de 660 "atos secretos", abrangendo os mais diversificados tipos de fraudes e irregularidades que permeiam as páginas do vasto Código Civil.

(Adendo 3: No resumo da ópera, são atos vergonhosos que, em parte tornados públicos, prenunciam a total desmoralização do Senado Federal, e de seus representantes, para o escárnio da Nação. Estampados em manchetes de jornais, eles evidenciam os esquemas de nepotismo, apropriações indébitas, contratações ilícitas, desvios de verbas, malversação do dinheiro público, abusos orçamentários, mordomias de toda ordem - em suma, um variado repertório de fatos escandalosos que só fazem lembrar de perto o cardápio de desgraças que acabou por fulminar, entre 1985/1990, a "Nova República" presidida pelo atual senador Zé Sarney).

No que se refere, em particular, ao prontuário de denúncias contra o temerário senador do Amapá, a imprensa ressalta seu envolvimento com a nomeação sigilosa de parentes, neto e afilhados (mais de dez); posse indevida de auxílio-moradia (Sarney recebia R$ 3.800, mesmo dispondo de duas mansões em Brasília, um delas residência oficial do Presidente do Senado); soma ilegal de dólares no exterior; requisição de seguranças do Congresso (em Brasília) para vigiar sua residência em São Luís (em que pese ser senador pelo Amapá); criação, para o deleite de apaniguados, de 50 diretorias supérfluas no Senado Federal; uso de funcionária da Casa na assessoria de suas campanhas eleitorais; ocultação à Justiça Eleitoral de imóvel de sua propriedade, no valor de R$ 4 milhões (pecadilho que, em nota, o Estadista atribuiu à "erro do contador"); e, por último, mas não menos escabrosa, a denúncia de que a Fundação que traz o seu nome e da qual é presidente de honra, desviou verba de R$ 500 mil da Petrobras ("patrocínio cultural", via lei Rouanet) para empresas fantasmas e da sua própria família.

Tal soma de arbitrariedades, no entanto, não significa grande coisa se comparada ao mal que o "legislador" Sarney vem causando ao País ao longo dos anos. É de sua lavra, ou pelo menos traz a sua assinatura, o encaminhamento ao Congresso Nacional de leis que, bem examinadas, em conjunto ou isoladamente, dividem a alma da Nação, criam privilégios, punem economicamente a população, aviltam as pessoas mais pobres, estimulam a malandragem, desestimulam o mérito, estabelecem a discórdia e, o mais nocivo - corrompem e minam a democracia formal.

Querem um exemplo? Pois bem: por trás da discriminatória Lei de Cotas que institui o obrigatoriedade do aproveitamento de negros e pardos nas universidades públicas, atendendo a grupos empenhados em acirrar o preconceito racial como forma de luta de classes está dedo de quem?

Quem é o mentor da lei de incentivos fiscais na área da cultura (hoje, lei Rouanet), responsável por elevado índice de malversação dos recursos oficiais; pela expansão de "castas culturais" parasitárias viciadas em mamar nos cofres públicos e pela substituição da obra de arte pela propaganda ideológica e a predominância do pensamento totalitário nas produções culturais, deflagradora da permanente crise de criatividade nacional?

E quem, subserviente às esquerdas de todos os matizes, esteve por trás do reatamento das relações diplomáticas do Brasil com a miserável Cuba de Fidel Castro, o mais empedernido e sanguinário ditador da América Latina em todos os tempos, responsável pela transformação da ilha numa vasta prisão e pela morte direta de 120 mil cubanos?

E quem, na certa para demonstrar independência em face dos militares de 64 (aos quais obedeceu como um vira-lata), rompeu relações diplomáticas com a China Nacionalista (Formosa) e as restabeleceu com a velha China Vermelha, ao lado de Cuba e da Coréia do Norte, a mais pétrea ditadura comunista em vigência?

E só para não ir mais adiante neste rol de iniqüidades: quem, para preservar os interesses espúrios de Lula no seu primeiro mandato, procurou dificultar por todos os meios à instalação da CPI do "Mensalão", justamente o inquérito que cassou o mandato de Zé Dirceu, o segundo homem na hierarquia do governo petista?

Resposta: José Sarney, o impostor que se finge de ofendido diante das graves acusações que lhes são imputadas, figura magna que corre atrás de Lula, seu parceirinho, para salvaguardar míseras regalias e adiar uma queda que moralmente já se deu aos olhos da Nação.

(Adendo final: Figura de pantomima, mas, sobretudo, personagem nocivo à vida pública brasileira, Zé Sarney está a merecer de algum autor teatral entrecho de uma farsa trágica. Não precisa, naturalmente, para fazê-la, ser dramaturgo da estatura de um Gogol ou de Antonio José da Silva, o Judeu. Seria pedir demais, claro. Para a tarefa, um entremez circense de autor do porte de Gugu Olimecha já dava para quebrar o galho. E não deixaria de ser curioso ver um tipo ladino, capaz das mais incríveis estripulias, impostar a virtuosidade do Eremita Simão. Ou mesmo, de forma melancólica, ver o personagem burlesco levar adiante o trabalho sujo do poder (esquerdista) para, logo depois, por ele ser execrado. Sim, poderia render bom caldo! Mas, enquanto este momento não chega, o certo será o nativo mover ação pública contra este mau político que, na Presidência do Senado, afirmando servir à Nação, dela se serve há décadas, atingindo-a profundamente. Se possível, com urgência!).

segunda-feira, 13 de julho de 2009

GOLPE DE ESTADO EM HONDURAS?

Por Cícero Harada
"Golpe de Estado em Honduras". É a manchete de todos os meios de comunicação. Afinal, o que está ocorrendo? Desde março, o presidente Manuel Zelaya resolveu propor um plebiscito para que assembléia constituinte possibilitasse, entre outras alterações, a reeleição de presidente. Tanto o Congresso Nacional como a Corte Suprema de Justiça, posicionaram-se contra a proposta. No dia 23 de junho, o Congresso aprovou lei que proíbe a realização de referendos ou plebiscitos 180 dias antes ou depois de eleições gerais, interceptando os planos de Zelaya.

Em virtude disso, o general Romeo Vasquez, chefe do Exército, e demais comandantes militares resolveram não entregar as urnas para votação "para não desrespeitar a lei". O presidente Zelaya destituiu general Vasquez da chefia. Os chefes da Marinha e da Aeronáutica renunciaram em protesto.

O presidente e seus simpatizantes entraram em uma base militar e retiraram as urnas lá guardadas.

A Corte Suprema decidiu favoravelmente à reintegração do gerneral Vasquez no cargo de chefe do Exército. O presidente Zelaya afirmou que não obedeceria a decisão, porque "a corte, que apenas faz justiça aos poderosos, ricos e banqueiros, só causa problemas para a democracia."

No dia 28, Zelaya foi preso pelo exécito por ordem da Corte Suprema, por ter desobedecido a ordem judicial de não realizar a consulta.

O Congresso leu carta de renúncia atribuída a Zelaya e desmentida por este e empossou como presidente interino, Roberto Michelleti, até então presidente do Congresso.

Honduras teve um longo período de ditadura militar que terminou com a eleição de uma Assembléia Constituinte em 1980, a promulgação da atual Constituição de 1982 (http://pdba.georgetown.edu/Constitutions/Honduras/hond82.html), mesmo ano da posse do primeiro presidente eleito, Roberto Suavo Córdova.

Um povo que sofreu longos anos de autoritarismo militar, manifesta da maneira mais clara e contundente em sua Constituição, que optou por uma democracia em que a alternância do poder é mandamento fundamental e intocável. Nada pode ameaçar nem de leve esta característica republicana. A rigidez constitucional nesse ponto barra qualquer pretensão de perpetuação no poder.

O artigo 239 da Constituição hondurenha prescreve que "o cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser Presidente ou Designado. Aquele que ofender esta disposição ou propuser sua reforma, bem como aqueles que a apóiem direta ou indiretamente, terão cessados de imediato o desempenho de seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para o exercício de toda função pública".

Note bem que em Honduras a simples proposição da reforma, visando a um novo mandato faz cessar de imediato o exercício do cargo, o dispositivo não excepciona o cargo de presidente.

No Título VII, Da Reforma e da Inviolabilidade da Constituição, Capítulo I, Da Reforma da Constituição, o artigo 374 prescreve a cláusula pétrea da impossibilidade de reeleição nos seguintes termos: "Não se poderá reformar, em nenhum caso, o artigo anterior [ trata da reforma da constituição ], o presente artigo, os artigos constitucionais que se referem à forma de governo, ao território nacional, ao prazo do mandato presidencial, à proibição para ser novamente Presidente da República, o cidadão que o tenha exercido a qualquer título e o referente àqueles que não podem ser Presidentes da República no período subseqüente."
Aqui está evidente a cláusula pétrea que proíbe a reeleição de Presidente da República.

O artigo 4º é de clareza solar ao definir constitucionalmente o delito contra a alternância do poder: "A forma de governo é republicana, democrática e representativa. É exercido por três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, complementares e independentes e sem subordinação. A alternância no exercício da Presidência da República é obrigatória. A infração desta norma constitui delito de traição à Pátria."

Evidente que Zelaya não infringiu esta norma, queria e precisava alterá-la.
No Capítulo III, Dos Cidadãos, o artigo 4º estabelece: "A qualidade de cidadão perde-se: (...) 5. Por incitar, promover ou apoiar o continuísmo ou a reeleição do Presidente da República;".
Por outro lado, o artigo 238 arrola os requisitos necessários para ser Presidente do seguinte modo: "Para ser Presidente ou Designado à Presidência, requer-se: (...) 3. Estar no gozo dos direitos de cidadão;".

Aqui, uma enorme dificuldade constitucional para Zelaya. Talvez a maior blindagem contra a reeleição. A prova do fato, no caso, notório, de conhecimento geral de que promovia e lutava por seu próprio continuísmo, faz perder a cidadania, um dos requisitos essenciais não só para assumir o cargo, mas também para manter-se como Presidente da República.

O artigo 245 esclarece "o Presidente da República detém a administração geral do Estado: são suas atribuições: 1. Cumprir e fazer cumprir a Constituição, os tratados e convenções, leis e demais disposições legais". (...) "16. Exercer o comando em Chefe das Forças Armadas em seu caráter de Comandante Geral, e adotar as medidas necessárias para a defesa da República;".

No Capítulo X, Das Forças Armadas, o artigo 272 dispõe que "As Forças Armadas de Honduras são uma Instituição Nacional de caráter permanente, essencialmente profissional, apolítica, obediente e não deliberante. São constituídas para defender a integridade territorial e a soberania da República, manter a paz, a ordem pública e o império da Constituição, os princípios do livre sufrágio e a alternância no exercício da Presidência da República."

Note-se que o Presidente é o comandante supremo das Forças Armadas. Estas devem obediência ao Chefe de Estado, na medida em que este obedeça a Constituição e, no caso, esta obriga expressamente que as Forças Armadas defenda a alternância do exercício da Presidência da República. No momento em que o presidente pretende a permanência por meio da reeleição, descumprindo as normas constitucionais e decisões da Corte Suprema de Justiça de Honduras, a ordem de prisão emanada por este Tribunal haveria de ser cumprida.

Os fatos e o conjunto das disposições constitucionais citadas mostram que, em Honduras, não houve golpe de Estado. Hans Kelsen ensinava que o golpe de Estado "instaura novo ordenamento jurídico, dado que a violação do ordenamento precedente implica também na mudança da sua norma fundamental e, por conseguinte, na invalidação de todas as leis e disposições emanadas em nome dela". Trata-se de poder de fato a impor-se contra a ordem jurídica em vigor, instituindo novo ordenamento. Em Honduras, o modelo bolivariano do presidente foi repelido graças a uma Constituição prenhe de anticorpos a estancar a tentação do continuísmo e do caudilhismo latino-americano. Lá se evitou o golpe e se defendeu a Constituição e a lei.

Agora, forças internacionais terríveis levantam-se contra o "golpe de Estado" em Honduras. Da ONU à OEA, passando pela ALBA (Aliança Bolivariana para as Américas), de Chávez, Lula e Fidel a Hillary Clinton e Obama. Lançam foguetes para matar uma mosca. Não é de hoje que Honduras, um pequeno e fraco país, depende dos Estados Unidos. No século XX, a United Fruits Company e a Standard Fruit Company, companhias bananeiras estabelecidas em Honduras, punham e depunham presidentes, controlavam o Congresso, faziam aprovar leis. Mesmo no início do regime democrático nos anos 80, Honduras permitiu aos Estados Unidos o uso de seu território como base estratégica para ações contra a Nicarágua. A ONU, por decisão unânime dos países -membros, exige a restauração de Zelaya e Organização de Estados Americanos (OEA) dá um ultimato para que o governo interino o reconduza à presidência. E o império? E Obama? E a Constituição de Honduras? E Honduras? Ora, Honduras, ora, ora, a Constituição de Honduras...

*Cicero Harada, advogado, conselheiro da OAB-SP, presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB-SP, foi Procurador do Estado de São Paulo.

HORROR E INSENSIBILIDADE

Por Olavo de Carvalho

Na década de 60, as organizações de esquerda tinham de se esforçar muito para conseguir recrutar dez militantes entre cada cem ou duzentos jornalistas. A lei que tornou obrigatório o curso universitário para o exercício da profissão mudou isso completamente, entregando sucessivas gerações de jovens desmiolados à guarda de doutrinadores e recrutadores bem capacitados. A conversão maciça da classe jornalística ao esquerdismo tornou possíveis fenômenos como o da ocultação geral do Foro de São Paulo e a farsa da eleição presidencial de 2002, um arranjo entre partidos de esquerda, com exclusão de toda oposição possível, celebrado cinicamente pela mídia nacional em peso como uma apoteose da livre concorrência democrática.
O STF fez muito bem ao eliminar a pérfida exigência do diploma, armadilha maquiavélica que rebaixou a qualidade dos nossos jornais e reduziu sua credibilidade ao ponto de que hoje eles não vendem mais exemplares do que o faziam nos anos 50, quando a proporção de analfabetos em nossa população era imensamente maior.

No entanto, a simples eliminação desse instrumento de seleção ideológica não basta para garantir que um pluralismo de verdade venha a reinar na nossa imprensa. Há meios de controle mais sutis e eficientes do que a imposição legal direta. No seu livro The True Story of the Bilderberg Group (Chicago, Independent Publishers Group, 2009), o jornalista espanhol Daniel Estulin mostra como essa plutocracia globalista, empenhada na construção de uma ditadura mundial, conseguiu se manter oculta desde 1954 até pelo menos 1998, estigmatizando como "teoria da conspiração" qualquer tentativa de revelar sua existência: seus componentes simplesmente compraram todos os grandes jornais e redes de TV dos EUA e da Europa. Isso determinou uma mudança mais profunda das funções do jornalismo do que a maioria da população pode ainda conceber. Como o objetivo da elite globalista é derrubar a economia americana e implantar em cima de seus escombros um novo sistema com moeda mundial unificada, impostos globais e administração burocrática planetária, as notícias, na quase totalidade da mídia, já não são selecionadas por nenhum critério de importância objetiva, mas pelo serviço que prestem à programação mental das multidões, de modo a fazê-las aceitar passivamente mudanças drásticas que em condições normais suscitariam explosões de ódio e revolta. A supressão e a manipulação tornaram-se gerais e sistemáticas, ao ponto de atentar diariamente contra a dignidade da inteligência humana e de transformar os mecanismos eleitorais da democracia num mero jogo de aparências.

Quando a elite globalista faz eleger presidente dos EUA um desconhecido, proibindo por todos os meios qualquer investigação séria da sua biografia e reprimindo por toda sorte de ameaças a exigência de que ele apresente seus documentos pessoais, é claro que a noção de "transparência" se transformou numa utopia inalcançável e está instaurado o império do segredo. Quando o indigitado mata um mosquito, compra um cachorro ou brinca de "dama por um dia" nos jardins da Casa Branca, de mãos dadas com a digníssima, o fato é noticiado com imenso alarde em todos os jornais e noticiários de TV, mas até atos oficiais do seu governo, quando arriscam criar alguma resistência, são omitidos por completo ou publicados com discrição que beira o silêncio.

O mesmo acontece com inúmeras notícias de importância histórica mundial que, se reveladas, teriam o dom de despertar as multidões do torpor hipnótico que as imobiliza e incapacita. Dificilmente o leitor encontrará nas páginas dos jornais, tão cuidadosamente foi escondida, a notícia de que Kaing Guek Eav, ex-diretor do sistema de prisões no regime comunista do Camboja, confessou ter mandado assassinar sistematicamente milhares de crianças, filhas de prisioneiros políticos, para que não tentassem vingar seus pais depois de crescidas (v. http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE55705320090608). Nada ilustra melhor a natureza do comunismo. Essas crianças não foram mortas acidentalmente por bombas durante uma guerra. Se o fossem, e as bombas fossem americanas, estariam em todas as primeiras páginas como provas da maldade capitalista. Como foram assassinadas deliberadamente, e o foram pelo simples crime de ser crianças, é preciso abafar o horror para que, no mínimo, as massas continuem na ilusão do equivalentismo moral entre os países comunistas e os EUA.

Do mesmo modo, as vítimas das FARC e do terrorismo latino-americano em geral, brasileiro inclusive, são meticulosamente excluídas do noticiário, proibidas de entrar no círculo da piedade humana e esquecidas, por fim, como meros dejetos acidentais indignos de atenção.

Enquanto isso, a mídia inteira considera normal e aceitável publicar palavras como estas do Dr. Emir Sader: "Há personagens com uma tal estatura histórica que, independente dos adjetivos e de todos os advérbios, ainda assim não conseguimos retratá-los em nada do que podemos dizer ou escrever. O que falar de Marx, que permaneça à sua altura? O que escrever sobre Fidel? ... O Che é um desses personagens cósmicos."

Num rápido manejo de teclado, criminosos desprezíveis, mentores de Pol-Pot, são elevados às alturas sublimes do indizível, do inefável, do transcendente à linguagem humana. Será exagero chamar isso de idolatria psicótica? Mas mesmo os que não apreciam o comunismo aceitam essa monstruosidade em nome da "diversidade de idéias", como se a matança deliberada de crianças fosse uma idéia, uma hipótese, um mero jogo acadêmico.

A longa convivência com essas enormidades, forçada diariamente pela mídia, dessensibiliza as consciências e as torna incapazes de perceber qualquer diferença entre a santidade e o crime, entre a virtude e a abominação. Na mesma medida e pela mesma razão, a estatura moral das sociedades democráticas vai baixando, e, com a ajuda de milhões de emires sáderes, os Ches e Pol-Pots se aproveitam disso para ostentar mais um pouco da sua infinita superioridade moral, anjos de bondade que pairam no céu, longe do "inferno capitalista".

Fonte: Diário do Comércio, 22 de junho de 2009

domingo, 12 de julho de 2009

CORAÇÕES PERTURBADOS

Por Russel Shedd


Antes de Jesus ser preso, na noite em que foi traído por Judas, Ele falou as seguintes palavras de encorajamento para seus discípulos: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus, creiam também em mim” (Jo 14.1, NVI). Quem não tem experimentado ansiedade e medo ao enfrentar um futuro desconhecido que promete perigo e assombro? A insegurança intensa e os temores horríveis fragilizam as emoções e perturbam o coração.


Ameaças físicas tiram a paz da pessoa ameaçada porque ela não pode calcular a intensidade do sofrimento que virá. A imaginação age como um carrasco desmontando a segurança da vida interior diante da possibilidade de torturas ainda não sentidas. O sofrimento, que somos incapazes de processar, aflige a alma com dores quase reais, dores agudas e insuportáveis.


Perturbação ocorre quando um médico anuncia tristemente que o câncer que devora as células saudáveis não tem cura. Quais são os sentimentos que desestabilizam o coração no momento em que um passageiro, olhando pela janela de um jato transatlântico, vê um dos motores lançando chamas e fumaça em cima do mar?


Marcos informa que, na noite da traição, os discípulos fugiram (14.50), uma reação natural ao se confrontar com uma ameaça que ultrapassa os recursos disponíveis ao coração. Pedro, mais corajoso, acompanhou o desenvolvimento mantendo sua distância do foco do perigo. Quando, porém, foi acusado repetidas vezes de ser seguidor do réu, negou com veemência e juramentos, afirmando que não era. Aí está mais uma maneira de se tentar escapar do perigo assombroso.


Naquelas horas em que o perigo mortal se aproximava, Jesus declarou: “Não se perturbe o seu coração; creiam”! Quando a mais adequada escapatória for negar, jurar inocência e fugir para se esconder, é bom ouvir do Senhor: “Não se perturbe o coração”. O escudo para o crente fiel continua sendo “Creia”. Crer, no sentido empregado por Jesus, significa confiar na soberania dEle e na todo-poderosa transformação da ameaça em bênção.


Crer em Cristo significa confiar nAquele que, de sua espontânea vontade, aceitou a cruz e todas as agonias inconcebíveis da morte do Filho perfeito. O profeta Isaías relatou esta verdade: “Meu servo justo justificará muitos e levará a iniqüidade deles” (53.11, NVI). Os piores e mais terríveis sofrimentos que a vida ou a morte podem lançar sobre nós foram levados pelo nosso substituto divino. “Ele foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação” (Rm 4.25). É essencial que creiamos nesta verdade para nos beneficiarmos deste recurso eterno.


“O aguilhão da morte é o pecado”, disse Paulo (1 Co 15.26), mas se Jesus tomou sobre si o castigo de nosso pecado, que sofrimento sobrará para justificar os nossos temores? Receber pela fé esse preciosismo deve anular a ansiedade e o medo. Logo em seguida, após a ressurreição de Jesus, Pedro mostrou uma invejável segurança e coragem. Acusou os judeus na mesma cidade em que Jesus foi condenado e crucificado. “Vocês”, disse ele, “com a ajuda de homens perversos, o mataram, pregando-o na cruz” (At 2.23b, NVI).


O que mudou nesse discípulo amedrontado, que buscava com juramentos negar sua passada intimidade com Jesus?


“Mantenha a si em paz, primeiro”, disse o sábio Thomas a Kempis, “e então você poderá pacificar outras pessoas. O homem pacífico realiza mais bem do que aquele que é erudito... O homem bom, pacífico, vira todas as coisas para o bem” (A Imitação de Cristo, Shedd Publicações, p. 62). Mas o caminho da paz depende da fé em Deus e no Senhor Jesus, que passou pelo vale profundo da morte e falou para seus seguidores: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou, não vo-la dou como a dá o mundo.


Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14.27, RA). Paulo descreve esta paz que excede todo entendimento como “fruto do espírito”, junto com o amor e a alegria (Gl 5.22). Não se compara com a paz que conversas com um psicólogo possam prover nem uma solução inesperada para uma ameaça sombria. Se um dos maiores males que afligem a civilização ocidental hoje é o stress, resultando em depressão, vale a pena atender a recomendação de Jesus Cristo: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus, creiam também em mim”!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

JOÃO CALVINO, O CÉREBRO DA REFORMA

Hoje, sexta-feira, dia 10 de julho de 2009, no mundo inteiro, os protestantes reformados estarão celebrando o quinto centenário do nascimento do reformador João Calvino. Ele nasceu no dia 10 de julho de 1509 na França e morreu no dia 27 de maio de 1564 em Genebra, na Suíça. Calvino foi o maior expoente da reforma. Influenciou não apenas a teologia, mas, também, a economia, a política e a educação. Destacaremos quatro áreas da vida desse gigante de Deus.

1. A teologia de Calvino - O reformador João Calvino foi o sistematizador da doutrina reformada. Aos 26 anos de idade escreveu As Institutas da Religião Cristã, fazendo uma exposição do Credo Apostólico. Esta obra tornou-se a maior referência teológica de todos os tempos. É muito importante ressaltar que Calvino não foi um inovador. Ele voltou à doutrina dos apóstolos. Ele voltou às Escrituras. Ele tinha um alto conceito da Palavra de Deus e esmerou-se em ensiná-la com irrestrita fidelidade. A influência de Calvino na teologia é tão destacada, que a doutrina reformada foi cognominada depois de sua morte de Calvinismo. No Sínodo de DORT, na Holanda, mais de cinqüenta anos depois da morte do reformador, cunhou-se o que nós chamamos de cinco pontos do Calvinismo: Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos.
2. A pregação de Calvino - Calvino foi um expositor bíblico. Pregou quase toda a Bíblia, usando o método lectio continua, expondo as Escrituras livro por livro, capítulo por capítulo, versículo por versículo. Calvino foi um exegeta extraordinário. Ele conhecia profundamente as línguas originais, a tal ponto de ler direto no Hebraico quando pregava no Antigo Testamento e direto no Grego quando pregava no Novo Testamento. Calvino pregava em média três vezes por semana. Ele foi essencialmente um pregador, um homem do púlpito. Para ele o púlpito era o trono de Deus na terra, de onde Deus governa o seu povo. Ouvir a exposição das Escrituras é ouvir a própria voz de Deus.

3. A prática pastoral de Calvino - Calvino não foi um homem sisudo, frio e distante das pessoas. Ao contrário, era um devotado pastor de suas ovelhas. Mesmo com uma agenda tão congestionada, ainda encontrava tempo para visitar o rebanho e orar com o seu povo. O ministério de Calvino abrangia um horizonte muito mais amplo do que apenas o cuidado da igreja local em Genebra. Ele era consultado por pastores e concílios de vários países para dar orientação à luz das Escrituras. Ele viajava para atender muitos convites. Calvino era um apologeta incomparável e ajudou a igreja do seu tempo a resolver os mais intrincados conflitos teológicos, sempre se pautando pela fiel exposição da Palavra. Mesmo atormentado por constantes dores e enfermidades, Calvino respondia inúmeras cartas, escrevia muitos livros e pregava com freqüência regular.

4. A influência social de Calvino - Calvino influenciou não apenas a igreja, mas, também, a sociedade como um todo. Ele fundou uma academia em Genebra, onde não faltou o curso de Teologia. Ele preparou missionários e os enviou para o mundo inteiro, inclusive para o Rio de Janeiro. Ele acolheu os foragidos de guerra e fez de Genebra um lar hospitaleiro para os que buscavam refúgio. Genebra foi transformada na mais esplêndida maquete do Reino de Deus na terra, sobretudo, pela pregação desse destemido reformador. Calvino influenciou a política, a cultura e a economia. Ele foi intelectual, sem deixar de ser piedoso. Ele foi um homem à frente do seu tempo. Depois de quinhentos anos de seu nascimento, ainda exerce decisiva influência em todo o mundo ocidental, especialmente no contexto das igrejas reformadas. Rendemos glórias ao nosso Deus por tão preciosa vida!
Por Hernandes Dias Lopes