sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

KARL BARTH E A FEBRE DA RELEVÂNCIA!

Ser relevante é o sonho de consumo de muitas igrejas e seus pastores. Essa ânsia tem afetado diretamente a agenda da igreja e do ministério pastoral. Recordo-me de ter ouvido um afamado conferencista brasileiro dizer em alto e bom som (para o entusiasmo de muitos, infelizmente): “Púlpito não é lugar de ensinar doutrina, mas de explicar a vida”. Até hoje não sei como esse indivíduo consegue explicar a vida sem acessar as doutrinas cristãs. Mas o fato é que esse tipo de pensamento ganha cada vez mais adeptos. Em todo lugar, como uma epidemia, pastores e líderes querem a todo custo ser relevantes na sociedade. O leitor deve estar se perguntando: Qual o problema de querer ser relevante? Acompanhe o raciocínio.


Todo cidadão, sobretudo aqueles que exercem liderança, precisam estar informados dos acontecimentos e interpretá-los a partir de uma cosmovisão bíblica. O pastor não deve isolar-se e fazer da sua congregação um compartimento hermeticamente fechado. Na contramão desse tipo de postura, o notável teólogo alemão, Karl Barth, disse que os pastores e pregadores precisavam andar com a Bíblia em uma mão, e o jornal na outra (frase, também, atribuída a John Wesley). Concordo! A Bíblia comunica verdades proposicionais de Deus e seus atos na história da redenção. O jornal (e outros meios de comunicação) informa os acontecimentos do dia a dia. O desafio do pregador, entre outras coisas, é criar uma ponte entre o mundo bíblico e o mundo contemporâneo. Anunciar as verdades eternas fazendo aplicações práticas que tenham correlação com a vida das pessoas.


Todavia, o que temos visto, não é apenas o legítimo interesse pela informação, mas a corrupção do propósito dessa informação. No afã de trazer uma mensagem “atual” muitos estão padecendo da febre da relevância. Um fenômeno que está transformando o púlpito em uma espécie de balcão de informação. Alguns pastores surpreendem a congregação com uma desenvoltura jornalística de causar inveja em muitos profissionais de comunicação. Soube de um pastor que após o início da famigerada “crise financeira internacional” passou semanas ensinando a igreja acerca do mercado financeiro mundial. Isso incluiu um tour pela gênese das bolsas de valores, a história do sistema bancário global e temas afins. A Mirian Leitão e os demais comentaristas econômicos que se cuidem! Esses pastores são demais.


ESSA FEBRE PEGA, MAS TEM CURA.

Um dos episódios mais marcantes na vida de Karl Barth, sem dúvidas um dos mais notáveis teólogos do cristianismo, se deu logo após a eclosão da terrível Primeira Guerra Mundial, em 1914. Diante de uma situação tão terrível, Barth, à época sofrendo da febre da relevância, correu para o púlpito e por semanas falou sobre a violência da Guerra. Muitos diriam: “Que maravilha! É de pastores assim que a igreja precisa. Homens antenados com o que acontece no mundo. Gente bem informada!”


Ora, segundo a mentalidade relevanciana, somente um fundamentalista interiorano, insensível e obtuso pregaria sobre a soberania do Deus Eterno e a sua santa e sábia providência. Em um momento crítico como aquele só mesmo os tolos reacionários falariam sobre a encarnação, morte, ressurreição e exaltação de Cristo. “Isso não!” diria os adoradores da relevância. “Deixemos de lado essa coisa de arrependimento, confissão, santidade e esperança da volta triunfal do Senhor Jesus, o Filho de Deus”.


A realidade é que para os sedentos por relevância, a Bíblia é apenas ponto de partida para exposição de suas idéias sobre como criar um paraíso na terra. A cruz de Cristo, a gloriosa bandeira do evangelho, tem sido hasteada e lamentavelmente substituída pelo pano de chão das frivolidades. Embora haja temas e questões que tem importância e devem ser objetos de reflexão, nada é mais sublime e necessário para a vida da igreja do que a pessoa bendita de Jesus Cristo.


Karl Barth compartilha conosco em um de seus sermões, a sua experiência com a febre da relevância. “Em 1914, quando a eclosão da guerra deixou o mundo todo sem fôlego, senti-me obrigado a permitir a entrada dessa violência da guerra em todos os meus sermões até que finalmente uma mulher veio a mim e me suplicou que apenas uma vez eu falasse sobre alguma outra coisa e não constantemente sobre esse conflito terrível. Ela estava certa! Eu havia vergonhosamente esquecido a importância da submissão ao texto... Toda honra a relevância, mas os pastores deveriam ser bons atiradores que miram suas armas acima do monte da relevância”.


É BOM LEMBRAR...

No primeiro século da era cristã, Jesus dá início ao seu ministério público indo para Galiléia, uma região de gente pobre (com um baixo IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, segundo os jornais da época) e analfabeta. Os galileus, cujos problemas sociais e econômicos eram reais e perceptíveis, tiveram o privilégio de ouvir o primeiro sermão de Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado. Marcos registrou o escopo da mensagem: “(...) foi Jesus para Galiléia pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho”. (Marcos 1.14,15) Coitado dos oprimidos. Além de sofrerem terríveis males sociais, ainda vem esse tal de Jesus falando sobre arrependimento, diria alguém. Mas a história testemunha que aqueles que compreenderam a mensagem de Jesus, (naqueles dias e ainda hoje), tiveram suas vidas transformadas como nenhuma revolução política ou reforma social jamais poderia realizar.


A mensagem dos apóstolos do Senhor Jesus era essencialmente uma: “nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gregos” (1 Co 1.23). Estranha pregação! Tendo em vista que à época havia aproximadamente 60 milhões de escravos no império romano soa como inadmissível não falar de justiça social. Por que a igreja não foi mobilizada para fazer passeata em protesto contra escravatura?


Creio que os apóstolos de Jesus Cristo seriam acusados de serem pregadores irrelevantes, para não dizer, irresponsáveis e negligentes, caso vivessem nos dias atuais. Mas curiosamente, foi anunciando a irrelevante mensagem da cruz, ainda hoje loucura para os gregos e escândalos para os judeus, que eles humanizaram a desumana sociedade romana. O cristianismo revolucionou o mundo com uma mensagem que os filósofos e todos os doutos da época reputavam como sendo insignificante, abominável e irrelevante. A mensagem cristã parecia fascinar apenas os pobres e incautos, estigmatizados como massa ignara.


A ironia é que para ser realmente relevante, a igreja precisa anunciar a mensagem que o mundo julga, a despeito do favorável testemunho da história, como sendo irrelevante. A pregação das insondáveis riquezas de Cristo é o único poder efetivamente transformador. Todo restante é fiasco filosófico sepultada pela história com o epíteto de utopia fracassada.


Karl Barth se mostrou curado da febre da relevância ao dizer: “A igreja não é uma ferramenta para sustentar o mundo ou para promover o seu progresso. Ela não é um instrumento para servir ao velho ou ao novo. A igreja e a pregação não são ambulâncias no campo de batalha da vida.”

Senhores, cuidado com a febre da relevância.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

ADORE TE DEVOTE



Por Judiclay S. Santos

Adore te devote é um famoso hino, tradicionalmente atribuído a Tomas de Aquino (1225--74). A leitura deste hino revela, entre outras coisas, a abissal diferença entre a liturgia de ontem e a de hoje. A igreja contemporânea, tem sido tão empobrecida na sua liturgia que sua mediocridade chega a níveis intoleráveis. Estou cansado de ouvir canções rasas, insípidas e monocromáticas, e o pior de tudo, heréticas. Precisamos regressar as antigas veredas e cantar as Escrituras, usando os dons e talentos dados pelo bendito Deus para enaltecer seu nome e sua obra, na criação e na redenção.

Ouvir e cantar esses clássicos da hinódia cristã não significa despreza o presente nem negar o fato de temos bons compositores e excelentes músicos na atualidade (embora sejam poucos). O que pretendo dizer é que adoração não é apenas cantar, mas é fundamentalmente é reconhecer quem Deus é e o que ele tem feito e ser tomado por um senso de maravilha tal que sejamos inclinados a glorificá-lo com tudo o que temos e somos.

O hino ADORE TE DEVOTE está cheio de santa reverência diante do Eterno.

Eu Te adoro com afecto, Deus oculto,
que Te escondes nestas aparências.
A Ti sujeita-se o meu coração por inteiro
e desfalece ao Te contemplar.

À vista, o tacto e o gosto não Te alcançam,
mas só com o ouvir-Te firmemente creio.
Creio em tudo o que disse o Filho de Deus,
nada mais verdadeiro do que esta Palavra da Verdade.

Na cruz estava oculta somente a tua divindade,
mas aqui se esconde também a humanidade.
Eu, porém, crendo e confessando ambas,
peço-Te o que pediu o ladrão arrependido.

Tal como Tomé, também eu não vejo as tuas chagas,
mas confesso, Senhor, que és o meu Deus;
faz-me crer sempre mais em Ti,
esperar em Ti, amar-Te.

Ó memorial da morte do Senhor,
Pão Vivo que dás vida ao homem,
faz que meu pensamento sempre de Ti viva,
e que sempre lhe seja doce este saber.

Senhor Jesus, terno pelicano,
lava-me a mim, imundo, com teu sangue,
do qual uma só gota já pode
salvar o mundo de todos os pecados.

Jesus, a quem agora vejo sob véus,
peço-Te que se cumpra o que mais anseio:
que vendo o teu rosto descoberto,
seja eu feliz contemplando a tua glória.

Meus caros leitores, que o Deus de toda graça nos dê um coração, cujo maior anseio seja conhecê-lo, amá-lo e adorá-lo no tempo e na eternidade.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O MAL QUE HABITA EM MIM! (1)


Por Judiclay S Santos


O pecado é a maior força em operação no mundo, exceto o poder de Deus. Mas a sociedade dos homens nega isto e trabalha para eliminar esta verdade. A propaganda enganosa é que o pecado é: “invencionice da igreja para manter o controle social”, “neurose obsessiva que perturba e adoece”, “fraseologia do passado incompatível com a sociedade do século XXI”. A força do pecado vem sendo subestimada, inclusive por muitos cristãos influenciados pelo humanismo secular.


Todavia os males decorrentes do poder do pecado estão por todos os lados. É certo que, quase todos os males que afetam a vida humana tem sua raiz na própria natureza humana corrompida. “De onde procedem as guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” [Tiago 4:1].


A teologia da Queda, que trata a entrada e as conseqüências do pecado no mundo é uma das mais distorcidas, depreciadas e odiadas das doutrinas cristãs. Mas como disse o pastor Lloyd-Jones – “a maneira de medir a altura do amor de Deus é antes de tudo medir à profundidade de nossa própria depravação como resultado da queda”. Penso que a falta de louvor e gratidão a Deus pela redenção em Cristo é porque muitos ignoram a natureza do pecado que separa o homem de Deus. “A doutrina do pecado original nos diz que nós não somos pecadores porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores, nascidos com uma natureza escravizada pela pecado... Nenhuma parte de nosso ser está isenta de pecado.” (A Bíblia de Genebra).


O reformador Martinho Lutero, ao pensar sobre o poder do pecado na vida humana concluiu que “para praticar boas obras, a natureza humana se rebela, se contorce e esperneia. Ao passo que, praticar más obras, ela o faz com facilidade e gosto”. Anos mais tarde, outro notável teólogo, o suíço Emil Brunner, afirmou que o “pecador não é aquele que tem algo podre, como uma manchinha podre de uma bela maça que se tira com a ponta da faca, mas aquele que é podre no cerne, infestado de podridão”.


O mal que habita em nós, a terrível força do pecado leva o cristão a clamar como Paulo: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” O coração do apóstolo, inquieto e angustiado, só pôde sossegar ao dar “graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” [Cf. Romanos 7: 24-25a].

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A CELEBRAÇÃO DA ESTUPIDEZ NACIONAL


Por Judiclay S Santos

O Big Brother Brasil tem uma audiência que surpreende especialistas do mundo inteiro. Programas como o BBB existem em todo o mundo, mas só alcança índices altos de audiência em países como o Brasil, onde o cidadão vota para “eliminar” um bobão ou uma bobona qualquer, porém não se lembra em quem votou na última eleição.


É grande o desserviço que a Rede Globo vem prestando a nação brasileira. Uma organização que se ufana de ter um Q de qualidade, na verdade tem um E de esperteza. Estudos indicam que em cada “paredão”, com uma média de mais de 25 milhões de ligações, a Globo fatura milhões de reais (fora as outras fontes de receita), graças aos tolos de plantão. Em troca, o povo recebe entretenimento vazio, que em nada colabora para a sua formação. Na verdade o BBB tem sido uma grande escola, pelo menos para aqueles que querem aprender como ser falso, mentiroso, infiel, hipócrita, leviano, canalha, com todos os derivativos da falta de ética e imoralidade.



O brasileiro trabalha cinco meses do ano para pagar impostos que são usados, entre outras coisas, para sustentar a máquina pública tantas vezes emperrada por conta dos parasitas sanguessugas que lá estão. Como se isso não bastasse, esse mesmo povo sofrido, pega os seus recursos e numa única noite entrega a Globo oito milhões de reais. A sociedade dá audiência a esse tipo de patifaria televisiva e com isso contribui para a falência da família e dos valores morais e éticos.



Lamento ter que reconhecer que muitos cristãos negam a Jesus Cristo ao se prostrar diante da televisão para assistir o BBB. Os que assim procederam envergonham o Senhor andando no conselho dos ímpios, se detendo no caminho dos pecadores e se assentando na roda dos escarnecedores. Em nome do “não têm nada haver”, muitos crentes foram cúmplices nesse processo de degradação da nação brasileira.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

UM NOVO ÂNIMO NO ALVORECER DE 2012


O apóstolo Paulo, na menor de suas epístolas, faz um sincero pedido a Filemom: “Reanime o meu coração em Cristo”(20). Mesmo Paulo, um gigante da fé, estava cansado. Na ocasião ele estava preso em Roma e chama a si mesmo de “Paulo, o velho”. (9) Na esperança de ser libertado em breve, ele também pediu: “Prepara-me um aposento”. (22) Paulo aguardava dias melhores, um novo ânimo e liberdade.

Todo ser humano - santos e pecadores, está sujeito a perder o ânimo, “aquela força motriz que põe tudo em movimento”. O desafio é receber um novo ânimo para continuar a jornada. Moisés, o experiente líder de Israel, deu uma necessária palavra de encorajamento a Josué, seu sucessor na liderança do povo: “Não tenha medo! Não desanime!” (Dt 31.8) Moisés sabia que sem ânimo, não se sai do lugar, não se avança, não se conquista nada.

Muitos chegam exaustos ao final de um ano de muitos desafios. Esse cansaço pode não ser apenas físico – emocional, mas também espiritual. Ninguém é capaz de manter o ânimo em todo tempo e em todas as circunstâncias. É certo que uma boa saúde, uma boa situação financeira, um bom relacionamento familiar podem tornar o desânimo menos freqüente, todavia nossa humanidade nos torna sujeitos ao desânimo.

Se você está desanimado, saiba que Deus é a fonte de todo genuíno ânimo. Pouco importa se a causa é por você conhecida ou não, se é de dentro para fora ou de fora para dentro. Deus pode usar pessoas, como Paulo mesmo pressupõe ao pedir a Filemom; pode mudar situações para lhe dar um novo ânimo no alvorecer de 2012

Que o bendito e Santo Espírito de Deus, nos ajude a entender e a experimentar as verdades anunciadas pelo profeta Isaías:

“Aos cansados ele dá novas forças e enche de energias os fracos. Até os jovens se cansam, e moços tropeçam e caem; mas os que confiam no Deus Eterno recebem sempre novas forças. Voam nas alturas como águias, correm e não perdem as forças, andam e não se cansam.” Isaías 40.29-31

sábado, 31 de dezembro de 2011

APRENDENDO A VIVER MELHOR!



Quando nós paramos de aprender, nós paramos de crescer; e quando nós paramos de crescer, nós paramos de viver. Fernando Pessoa





Uma das decisões mais importantes que uma pessoa pode tomar é decisão de aprender. Há tantas coisas que nós precisamos aprender a fim de viver para glória de Deus, para abençoar o próximo e para nossa alegria.


No último dia do ano quero compartilhar com você duas verdades que uma vez aprendidas e postas em prática torna a vida melhor e mais interessante.

Vive melhor quem aprende que...
1) CRISE SÃO OPORTUNIDADES PARA CRESCER EM MATURIDADE.


Todos nós estamos sujeitos a viver uma crise. Um tempo de adversidade extrema. Há crises de todo tipo. Há crises financeiras, familiares, relacionais, emocionais. Há crises de fé.



Talvez você tenha vivido muitas crises em 2010. É possível esteja vivendo uma crise. Crises chegam sem aviso prévio e em 2011 não será diferente. Não adianta dá sete pulinhos no mar de Copacabana. Precisamos entender que as crises, que são inevitáveis, envolvem perigos, mas também oportunidades. A crise pode ser uma porta de esperança, como também a sepultura dos sonhos.


Ninguém gosta de passar por uma crise. A crise gera medo, insegurança e instabilidade. Mas uma crise pode gerar o benefício do crescimento. É por meio das crises que a nossa fé é fortalecida.


É curioso notar que a palavra crise na língua chinesa é formada pela composição de duas outras palavras: perigo e oportunidade. Isso significa que uma crise pode implicar numa série de problemas, mas também em uma excelente oportunidade para Deus agir.




“A crise é uma encruzilhada: onde uns colocam os pés na estrada da vitória, outros descem a ladeira do fracasso. A crise revela os verdadeiros heróis: uns ficam esmagados debaixo da bota dos gigantes, outros olham para os horizontes largos por sobre os ombros dos gigantes. Na crise uns fracassam, outros triunfam. É no ventre da crise que surgem os grandes vencedores”. Hernandes D. Lopes


Qual é a sua atitude quando a crise chega?
Cada pessoa reage de uma maneira.

FUGIR. Existem aquelas que fogem. Na vida é muito comum nos vermos diante de gigantes aparentemente insuperáveis. Crises que chegam sem aviso prévio. Quando isso acontece somos impelidos a correr, a fugir, a buscar uma solução qualquer, menos o enfrentamento do problema.

Existem maneiras de fugir (FUGAS) Isolamento. Amargura. Ativismo. Drogas. Prazeres. Religiosidade. Fugir da crise é afundar na mediocridade. Fugir é desperdício de oportunidade.


SUPORTAR. Existem aqueles que suportam a crise, mas não tiram proveito dela. Simplesmente resistem, mas ficam no prejuízo, pois agem na sua própria força e muitas vezes acabam esgotadas. Perdem a alegria e o ânimo e acabam vivendo como céticos. São cristãos que na prática aderem ao existencialismo de Paul Sartre que dizia que vida humana é uma ruga no universo, não faz sentido, é um completo absurdo. É impressionante a quantidade de pessoas céticas nas igrejas. Gente que apenas suporta os problemas, mas não crê que haja solução.

APROVEITAR. Mas graças a Deus que existem aqueles que vêem na crise uma oportunidade pedagógica. São pessoas que tiram proveito das adversidades, enfrentam os gigantes na força que vem de Deus. As pessoas maduras são aquelas que justamente sabem lidar com crise. Pessoas podem ter muitos anos de vida e ao mesmo tempo não demonstrar sinais de amadurecimento.

Diante da crise, antes de qualquer decisão, devemos consultar a Deus. Nós somos pegos de surpresa, mas Deus sabe de tudo e tem orientação segura para nós.

Faze-me, Senhor, conhecer os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo o dia. Salmo 25.4-5




DOIS ELEMENTOS QUE FAZEM A DIFERENÇA NA HORA DA CRISE




A) VISÃO ESPIRITUAL





A experiência de Eliseu e seu assistente.


Uma tropa enviada pelo rei da Síria foi enviada para capturar o profeta Eliseu. O jovem assistente ao ver o grande contingente de homens com carros de guerra se desesperou. Então Eliseu fez uma oração:


“O profeta respondeu: Não tenha medo. Aqueles que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles. E Eliseu orou: “Senhor, abre os olhos dele para que veja”. E então o Senhor abriu os olhos do rapaz, que olhou e viu as colinas cheias de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu”. 2 Rs 6.16-17

Nossa atitude diante das crises que surgem depende muito da nossa capacidade de vê-las sob a ótica de Deus. Muito do nosso desespero é porque agente só enxerga o físico, o visível. É olhando o invisível que podemos crer no impossível.





A visão é um dos prodígios mais extraordinários da criação. Uma dádiva de Deus. Segundo o renomado oftalmologista John Wilson, nós temos 60 milhões de fios duplos encapados em cada olho. Nosso olho muito mais sofisticado do que todas essas câmeras digitais modernas que se tem por aí.


Nós precisamos de visão espiritual para discernir os propósitos de Deus para nossa vida. Sem discernimento ficamos vulneráveis. Sem visão estamos sujeitos a criar falsas expectativas, vivendo ilusões que uma vez frustradas adoecem o coração.




“O Senhor cumprirá o seu propósito para comigo! Teu amor, Senhor, permanece para sempre; não abandones as obras das tuas mãos!” Salmo 138.8


b) CONFIANÇA EM DEUS.




As tragédias que nos atingem não têm a última palavra em nossa vida. Nosso desafio é esperar com confiança em Deus.


Esperar é um dos verbos mais difíceis de viver. Nós todos temos certa dificuldade com a espera, sobretudo, quando julgamos que já esperamos demais. Nós somos inclinados a cantar: Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Esperar nunca foi tarefa fácil. O livro de provérbios, sabiamente diz que: “A esperança que se adia faz adoecer o coração” (Pv 13.12).




Há muita gente cansada nas igrejas. Pessoas emocionalmente esgotadas e sem forças porque se cansaram de esperar.


Casados de esperar por mudanças que nunca acontecem, por sonhos que nunca se realizam, e por alegrias que nunca chegam.


Se formos honestos, iremos reconhecer que é assim que muitas vezes nos encontramos. Entristecidos, abatidos e sem nenhuma esperança. É como está morto sem que haja um atestado de óbito.


Há pessoas diante dos problemas e desafios da vida correm para caverna. Muitos se escondem e vivem atormentadas duas vezes. Pelo problema que continua e pela culpa que surge. O sentimento intrapunitivo que o desanimo gera.


Todos nós podemos passar por isso. O salmista disse assim: “Esmorecem os meus olhos de tanto esperar por tua promessa, enquanto digo: quando me haverás de consolar. Já me assemelho a um odre na fumaça; contudo, não me esqueço dos teus decretos”. Salmo 119.82

Muitas vezes chegamos ao final da linha. Tudo parece ir de mal a pior, em direção ao caos total e miséria irremediável. Somos invadidos por uma assombrosa sensação de desalento, perdição e desesperança.

Mas é justamente essa a hora oportuna para voltar os nossos olhos para o Senhor nosso Deus, pois dele que vem o socorro. Deus muda a nossa história. O Senhor transforma o nosso pranto em sorriso, nosso deserto em manancial. Glórias sejam dadas ao Pai de muitas misericórdias e Deus de toda consolação.


O EXEMPLO DE JOSÉ:



 José viveu uma crise terrível. Foi vendido como escravo pelos próprios irmãos. Mas enquanto ele sofria por 17 longos anos de injustiça Deus estava preparando todas as coisas para que ele fosse o governador do Egito. José aprendeu por experiência que ESPERAR EM DEUS NÃO É FACIL, MAS RECOMPENSA.


Há uma canção que diz: Jesus, plano melhor, nunca chega atrasado, sua hora é perfeita, sua maneira, a mais linda. Eu só quero a tua vontade.

Alexander MacLaren, foi um dos mais poderosos pregadores batistas que já existiu. Ele teve a honra de presidir o primeiro Congresso da Aliança Batista Mundial, no ano de 1905. Em uma de suas mensagens ele disse algo precioso.

"Às vezes, Cristo demora a vir em nosso auxílio, a fim de provar a nossa fé e avivar as nossas orações. O barco pode estar coberto pelas ondas, e o Mestre dormindo; Mas ele despertará antes que se afunde. Ele está dormindo no barco, mas nunca passa da ora; e com ele não há tarde demais". Alexander Maclaren




O Deus Eterno diz: Os meus pensamentos não são como os seus pensamentos, e eu não ajo como vocês. Assim como o céu está muito acima da terra, assim os meus pensamentos e as minhas ações estão muito acima dos seus. Isaías 55.8-9


“Bendito é o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor”. Jr 17.7

Vive melhor quem aprende que...


2. PLANTAR SONHOS E CULTIVAR ESPERANÇAS É ESSENCIAL




Sonhos têm a capacidade de nos manter vivos. As pessoas que nutrem em seus corações a realização de projetos e estabelecem alvos e metas têm maior vigor diante dos desafios da vida. A história está repleta de exemplos de personalidades, hoje mundialmente conhecidas que foram motivadas por sonhos, que um dia eram apenas sonhos, mas que hoje são realidades que afetam milhões de pessoas no mundo todo.




Há muita gente que já morreu embora continue vivendo. Essa é uma realidade paradoxal. Estou falando de viver sem rumo, sem projeto, sem sonhos e sem esperança.

O filósofo Gardavasky disse acertadamente que uma das grandes ameaças que estamos sujeitos é “o perigo de morrermos antes de realmente morrer, antes que a morte se torne uma necessidade natural. O verdadeiro horror repousa exatamente sobre essa morte prematura, após a qual continuamos a viver por muitos anos”.


A DESESPERANÇA É A MORTE PREMATURA DOS QUE CONTINUAM VIVENDO.


Eu deliberadamente usei os verbos plantar e cultivar fazendo ligação com a idéia de sonhar. Plantar tem o seu valor e é o ponto de partida, mas para se obter resultado é preciso cultivar, tomar os devidos cuidados para que o sonho se torne realidade.


PERGUNTAS: Qual é o seu projeto de vida? Quais são os seus planos e objetivos? Uma atitude é fundamental para quem deseja realizar sonhos.


Estabeleça alvos. Meta é o sonho com data marcada!
“Se você falhar em planejar, inconscientemente você está planejando falhar”. Henry Ford.


Estudos indicam que 97% das pessoas em nossa sociedade não elaboram um programa organizado de metas e por isso não conseguem alcançá-las.


Há diversas razões pelas quais as pessoas não estabelecem metas nem planejam como alcançá-las: Medo, auto-imagem negativa; indisciplina; comodismo; miopia situacional.


Precisamos de muitas e diferentes metas na vida. Tipos de metas: Intelectuais; financeiras; familiares; sociais; culturais; emocionais; espirituais; profissionais; educacionais.





ALVOS PIEDOSOS.



A. CONHECER A DEUS.

O ser de Deus pode ser comparado a um grande e vasto oceano e muitos de nós apenas molhou as solas dos pés, quando deveria mergulhar e se deleitar nas profundezas do grande e amável Deus.



“Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor e ajo com lealdade, com justiça e com retidão, sobre a terra, pois dessas coisas que me agrado, declara o Senhor” Jeremias 9.23-24 (NVI)

B. CUIDAR DA FAMÍLIA.



Você tem uma família e é seu dever cuidar dela. Nosso lar é nosso tesouro. Os pais devem sonhar com seus filhos todos aos pés do Senhor. Buscar edificar a nossa família na Rocha que é Cristo Jesus. Como vai a sua família?

Valorize a sua família. Planeje ter mais qualidade de vida.



C. CUMPRIR A VOCAÇÃO.


Deus lhe chamou para e lhe deus dons para servir a sociedade e edificar a igreja.

Tanto no trabalho na esfera da criação quanto na esfera do reino, precisamos cumprir a nossa vocação. Com que propósito Deus lhe colocou no mundo?

Em todas as coisas, o alvo maior, e o propósito central é viver para a glória de Deus. “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. 1 Coríntios 10.31

Precisamos buscar a face de Deus e conhecer os seus propósitos para a nossa vida. O que Deus um dia disse aos judeus exilados na Babilônia, também se aplica a nós em relação ao nosso futuro.

"Sou eu conheço os planos que tenho para vocês: prosperidade e não desgraça e um futuro cheio de esperança. Sou eu, o Eterno, quem está falando. Então vocês vão me chamar e orar a mim, e eu responderei. Vocês vão me procurar e me achar, pois vão me procurar com todo o coração". Jeremias 29

Na dependência de Deus podemos viver bem e sonhar com um futuro melhor.
Peço a Deus um feliz ano novo aos queridos leitores deste blog.
Vamos viver bem e cada vez melhor.